Treino improvisado, apelido curioso e ascensão meteórica: quem é Fernando Scheffer, nova estrela da natação

Nadador gaúcho conquistou a primeira medalha da natação brasileira em Olimpíadas desde Londres 2012 e busca outra no revezamento 4×200 m livre

  • Por Jovem Pan
  • 27/07/2021 18h28
Satiro Sodré/CBDANadador conquistou a primeira medalha olímpica de sua carreira

Nove anos depois do bronze de César Cielo nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o Brasil voltou a subir no pódio da natação na noite da última segunda-feira, 27, quando Fernando Scheffer conquistou o bronze na prova dos 200 m livre nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Natural de Canoa, no Rio Grande do Sul, o nadador de 23 anos era apontado como uma das promessas da natação e, como resultado, acabou se firmando entre o seleto grupo de atletas brasileiros que são medalhistas olímpicos. Mas, afinal, quem é Fernando Scheffer?

Apelido curioso e treinos na pandemia

Quando começou na natação, Scheffer ganhou um apelido fruto de uma confusão: “Monet”, que faz referência ao pintor francês Claude Monet. O motivo da alcunha seria a semelhança do nadador com a obra Abaporu – por conta de seus braços e pernas compridos –, que, na verdade, é da brasileira Tarsila do Amaral. Já com o apelido curioso disseminado na natação verde e amarela, Scheffer começou a treinar e a despontar como promessa, rendendo diversas comparações com o também nadador Xuxa, que tem nome semelhante: Fernando Scherer. A carreira do gaúcho vinha em alta e ele se preparava para a disputa das Olimpíadas de Tóquio quando os jogos foram adiados pela pandemia de Covid-19, o que o forçou a adaptar seu treinamento. A pandemia fez com que o Minas Tênis, seu clube, fechasse as portas. Com isso, o “Monet” teve que continuar treinando para manter seu condicionamento físico. No fim do ano, quando a pandemia estava mais controlada, o nadador voltou a treinar. Entretanto, no começo de 2021, a situação ficou fora de controle, e os clubes fecharam novamente. Para se preparar, Scheffer e outros colegas de clube alugaram um sítio para treinar em um açude, que é uma estrutura feita para desviar ou deter um curso de água. Como visto em Tóquio, fez com que ele voltasse a conquistar resultados expressivos como os pré-pandêmicos.

Resultados

Antes de brilhar na natação, Scheffer viveu uma decepção ao não se classificar para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, ficando 80 centésimos abaixo do índice necessário para competir. Desde então, sua carreira deu uma guinada. Em 2018, nos Jogos Sul-Americanos de Cochabamba, na Bolívia, conquistou o ouro nos 200 m livre e no revezamento 4×200 m livre, além de ter levado a prata no revezamento 4×100 m livre. No mesmo ano, no Campeonato Mundial de Piscina Curta, Scheffer conquistou o ouro no revezamento 4×200 m livre, ao lado de Luiz Altamir Melo, Leonardo Coelho Santos e Breno Correia. Nos Jogos Pan-Americanos de 2019, disputados em Lima, no Peru, voltou a brilhar, faturando o ouro nos 200m livre e no revezamento 4×200 m livre e a prata nos 400 m livre. Em Tóquio, Scheffer tem a chance de conquistar mais uma medalha na final do revezamento 4×200 m livre, que será disputada na noite desta terça-feira, 27.