MP pede investigação sobre ataques misóginos contra jovem morta em salto de rope jump
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) acionou a Polícia Civil para investigar comentários ofensivos contra Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morta após um salto de rope jump em Limeira, no interior paulista.
A decisão foi tomada após uma representação feita pela Bancada Feminista do PSOL sobre comentários ofensivos publicados nas redes sociais após a repercussão do caso. Entre as mensagens compartilhadas por usuários estavam referências de cunho sexual e até menções à necrofilia.
Segundo o MP-SP, foi solicitada a instauração urgente de inquérito policial para apurar os fatos. Em despacho assinado pela promotora de Justiça Ana Maria Aiello Demadis, da 5ª Promotoria de Justiça Criminal, o órgão determinou a remessa do caso ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) para que seja anexado a eventual investigação já existente ou para que um novo inquérito seja instaurado.
No documento, o Ministério Público afirma que o caso trata de um “gravíssimo episódio”, amplamente divulgado pela imprensa, e menciona a apuração de supostos crimes previstos no Código Penal contra a memória de Maria Eduarda.
A promotora também determinou que a investigação alcance as condutas de usuários das redes sociais e de representantes da plataforma mencionada na notícia-crime.
Após a divulgação de fotos de Maria Eduarda nas redes sociais, comentários como “vou fazer concurso para o IML de Limeira” e “festa no IML” passaram a circular em publicações relacionadas ao caso, gerando indignação e pedidos de responsabilização dos autores das mensagens.
Maria Eduarda morreu no dia 13 de junho, após saltar da Ponte do Esqueleto. Segundo a Polícia Civil, a vítima deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas estava instalada no momento da atividade.
A jovem foi lançada de uma altura de 40 metros sem que a corda estivesse devidamente presa a seu corpo. O momento em que ela é jogada da Ponte do Esqueleto foi registrado em um vídeo, que se espalhou pelas redes sociais.
De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, os três funcionários responsáveis pela operação Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, que permanecem presos, afirmaram em depoimento que não se lembram de quem deveria instalar ou fiscalizar os equipamentos de segurança.
O caso é investigado como homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte mesmo sem a intenção direta de matar. Além da dinâmica do acidente, a polícia também apura o desaparecimento de uma câmera que estaria com a jovem no momento da queda.