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Aeroportos argentinos param em nova greve; voos no Brasil são afetados

Protesto contra reforma trabalhista de Milei afeta transporte aéreo na Argentina e gera prejuízo econômico milionário

Victor Trovão

Movimento de passageiros no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo
Movimento de passageiros no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de SP Renato S. Cerqueira/Ato Press/Estadão Conteúdo

A quarta greve geral desde o início do governo do presidente ultraliberal Javier Milei impacta nesta quinta-feira (19) o transporte na Argentina e provoca reflexos também no Brasil. A paralisação, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), é um protesto contra reforma trabalhista impulsionada pela gestão Milei.

Os principais sindicatos do transporte de passageiros aderiram ao movimento, afetando aeroportos e voos em todo o país. A Aerolíneas Argentinas informou o cancelamento de 255 voos em sua malha aérea, com impacto estimado sobre mais de 31 mil passageiros e prejuízo econômico de cerca de US$ 3 milhões.

Do total de voos cancelados, 219 são domésticos, afetando aproximadamente 25 mil passageiros; 32 são regionais, com cerca de 5 mil passageiros impactados. Aerolíneas Argentinas informa que todos os voos que conectam a Argentina ao Brasil serão cancelados. 

As seguintes rotas serão afetadas:
• Buenos Aires – São Paulo: 3 voos
• Buenos Aires – Rio de Janeiro: 6 voos
• Buenos Aires – Porto Alegre: 1 voo
• Buenos Aires – Florianópolis: 3 voos
• Tucumán – Florianópolis: 1 voo
• Rosario – Florianópolis: 1 voo

A companhia também anunciou que aplicará descontos salariais aos funcionários que aderirem à paralisação, referentes à jornada não trabalhada. Esses cancelamentos fazem parte de um total de 255 voos suspensos em toda a rede da companhia, medida que afetará mais de 31.000 passageiros e gerará um impacto econômico estimado em USD 3 milhões. Aerolíneas Argentinas retomará sua operação regular a partir das 00h00 de sexta-feira.

Passageiros com voos marcados para a data devem conferir o e-mail cadastrado na reserva para verificar eventuais alterações. Quem comprou a passagem por agência de turismo deve entrar em contato diretamente com a empresa responsável. Também é possível consultar e gerenciar a viagem pelo aplicativo da Aerolíneas Argentinas (iOS e Android) ou pelo site oficial da companhia.

A Latam informou que precisou alterar sua operação de ida e volta da Argentina devido à greve e à adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos. Segundo a companhia, alguns voos podem operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados.

Passageiros afetados poderão remarcar a viagem sem custo, dentro do prazo de um ano a partir da data original, ou solicitar reembolso integral. Todas as informações e opções de remarcação ou reembolso estão disponíveis na seção “Minhas Viagens”, no aplicativo da LATAM e no site latam.com.

A Gol comunicou que, em razão da paralisação que inviabiliza as operações aeroportuárias em Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário, cancelou voos programados para esta quinta-feira. Clientes impactados estão sendo avisados por e-mail e podem remarcar a viagem sem custo ou solicitar reembolso em créditos no site da empresa. Passagens com milhas devem ser tratadas com a Smiles: 0300 115 7001 (Smiles/Prata) ou 0300 115 7007 (Ouro/Diamante).

Já a Azul Linhas Aéreas informou que não opera voos regulares para a Argentina atualmente. A companhia mantém apenas voos sazonais, entre julho e agosto, para Bariloche e Mendoza.

Reflexos nos aeroportos brasileiros

No Brasil, a GRU Airport, que administra o Aeroporto Internacional de São Paulo, registrou até o momento 14 voos cancelados em decorrência da greve.

O RIOgaleão informou o cancelamento de 16 voos de chegada e 15 de partida com origem ou destino na Argentina nesta quinta-feira. Apesar das suspensões, a concessionária destacou que a operação do aeroporto segue normal.

O Aeroporto de Congonhas informou que não há impactos decorrentes da greve geral realizada na Argentina nesta quinta-feira (19). Como o terminal não opera voos internacionais, não existem conexões diretas com o país vizinho, o que afasta a possibilidade de cancelamentos ou atrasos relacionados à paralisação.

Entenda a paralisação 

O governo argentino enfrenta nesta quinta-feira (19) a quarta greve geral de sua gestão, no dia em que a Câmara dos Deputados debaterá uma polêmica reforma trabalhista impulsionada pelo presidente ultraliberal Javier Milei, já aprovada pelo Senado na semana passada.

A paralisação, que começou às 00h01 locais (mesmo horário em Brasília) e durará 24 horas, foi convocada pela principal central sindical do país, que considera que as mudanças propostas pelo governo são “regressivas”.

A medida de força ocorre em um contexto econômico que apresenta sinais de queda na atividade industrial, com mais de 21.000 empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300.000 postos de trabalho, segundo fontes sindicais.

javier MILEI CARREATA

A polêmica reforma trabalhista foi impulsionada pelo presidente ultraliberal Javier Milei – Foto: AFP

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