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Após 38, 36 e 94 anos, democratas voltam a vencer eleições no Texas e Kansas

Vitórias no Senado e no governo texano encerram décadas de domínio republicano

Marcelo Bamonte

Após 38, 36 e 94 anos, democratas voltam a vencer eleições no Texas e Kansas
Os resultados representam uma mudança no cenário eleitoral de dois estados historicamente favoráveis ao Partido Republicano Reprodução

O Partido Democrata conquistou vitórias em estados tradicionalmente republicanos nas eleições legislativas de terça-feira (3), nos Estados Unidos. No Texas, James Talarico foi eleito senador após 38 anos sem uma vitória democrata para o cargo, enquanto Gina Hinojosa venceu a disputa pelo governo estadual, encerrando um intervalo de 36 anos. No Kansas, Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall e se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado desde 1932.

Os resultados representam uma mudança no cenário eleitoral de dois estados historicamente favoráveis ao Partido Republicano. No Texas, os democratas não conquistavam uma cadeira no Senado desde a eleição de Lloyd Bentsen, em 1988. Já o governo estadual estava sob controle republicano desde a vitória que sucedeu a eleição de Ann Richards, última democrata eleita governadora, em 1990.

No Kansas, a vitória de Hamilton interrompeu uma sequência de 94 anos sem que um candidato democrata fosse eleito senador pelo estado. Em 2024, Donald Trump havia vencido a eleição presidencial no território por uma diferença de 16 pontos percentuais.

Dupla vitória texana

No Texas, James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton, um dos principais aliados de Trump no estado. Deputado estadual desde 2018 e ex-professor da rede pública, o democrata ganhou projeção nas redes sociais ao questionar a aproximação entre lideranças religiosas e setores conservadores da política americana.

Durante a campanha, Talarico criticou a influência de grandes empresas e bilionários sobre o sistema político. Também procurou apresentar sua candidatura a partir de mensagens relacionadas à fé e à união entre os eleitores.

Paxton, procurador-geral do Texas desde 2015, recebeu o apoio de Trump e defendeu propostas de endurecimento das políticas migratórias, restrições ao aborto e ampliação do acesso a armas. Sua trajetória política, porém, foi marcada por controvérsias. Em 2023, enfrentou um processo de impeachment por acusações de corrupção e abuso de poder, do qual foi absolvido. Também respondeu a uma ação por fraude de valores mobiliários, encerrada mediante acordo.

A campanha teve episódios de desinformação contra Talarico. Após o democrata se afastar por nove dias em setembro devido a uma gripe, adversários divulgaram rumores de que ele estaria internado em uma clínica psiquiátrica. Trump também afirmou, sem apresentar provas, que o candidato seria vegano e teria consumido carne por conveniência eleitoral.

O republicano contou ainda com apoio financeiro do empresário Elon Musk, que destinou mais de US$ 150 milhões à campanha de Paxton.

Na disputa pelo governo estadual, Gina Hinojosa recebeu 57,1% dos votos, contra 41,6% de Greg Abbott, que buscava um quarto mandato consecutivo. A democrata será a primeira integrante de seu partido a governar o Texas desde Ann Richards, eleita em 1990.

Advogada com atuação em direitos civis e trabalhistas, Hinojosa é deputada estadual desde 2016 e já presidiu o Partido Democrata do Texas. Antes de ocupar cargos políticos, trabalhou em processos relacionados à proteção dos trabalhadores e ao financiamento de campanhas eleitorais.

A vitória também encerra um período de mais de três décadas sem que os democratas conquistassem um cargo estadual no Texas. Até então, a última vitória do partido em uma disputa dessa natureza havia ocorrido em 1994.

Vitória histórica kansana

No Kansas, o pastor metodista Adam Hamilton conquistou 51,9% dos votos, superando o senador republicano Roger Marshall, que recebeu 45,2% e tentava a reeleição.

Hamilton adotou uma plataforma moderada para alcançar eleitores de diferentes posições políticas. Durante a campanha, concentrou suas propostas nas dificuldades econômicas enfrentadas pela população, especialmente pelos agricultores, e buscou se apresentar como uma alternativa de centro.

O democrata, que lidera a maior igreja do estado, também enfrentou críticas republicanas por seu apoio ao movimento Black Lives Matter, voltado ao combate ao racismo, e pela defesa de mecanismos que permitam a imigrantes sem documentação obter a cidadania americana.

A campanha de Hamilton arrecadou mais recursos do que a de Marshall e investiu US$ 18,3 milhões a mais na disputa. Apesar da vantagem financeira, as pesquisas indicavam uma eleição apertada, com o democrata à frente por apenas um ponto percentual na média dos levantamentos.

A vitória encerrou uma sequência iniciada em 1932, ano da última eleição de um democrata para o Senado pelo Kansas. O resultado também contribuiu para o avanço do Partido Democrata na disputa pelo controle do Congresso americano.

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