Cristina Kirchner acusa governo de armar ‘operação’ para destruir opositores
A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner acusou nesta segunda-feira (25) o governo e a Justiça do país de serem a “verdadeira formação de quadrilha” da qual a ela é acusada e de “armar casos” para “operações” de “destruição de opositores”. Kirchner voltará aos tribunais hoje para depor em um caso no qual é investigada por corrupção.
“A única e verdadeira formação de quadrilha são eles… Que não só armam casos para fazer operações políticas de estigmatização e destruição de opositores, mas arrecadam dinheiro em divisa estrangeira pedindo propina a empresários e acusados”, escreveu nas redes sociais a ex-governante.
A ex-presidente foi intimada a prestar depoimento nesta manhã pela terceira vez na condição de acusada no chamado “Caso dos Cadernos”. Os investigadores apuram se houve pagamentos de propina de empresários a funcionários do alto escalão do governo durante os mandatos dos Kirchner. Ela também é investigada em outros desdobramentos dirigidos pelo juiz Claudio Bonadio.
“Hoje, 25 de fevereiro, Néstor faria aniversário e eu deveria estar em Río Gallegos [cidade natal de Kirchner], como sempre”, disse Kirchner — viúva de Nestor Kirchner, que completaria 68 anos nesta segunda.
Cristina criticou o fato de o juiz Bonadio ter ordenado buscas nos escritórios de seu filho Máximo em 2015 no dia do aniversário de seu neto e de, no ano passado, ter feito o mesmo com a casa dela durante o aniversário de sua outra neta, filha de Florencia Kirchner.
“Este ano, [o juiz] escolheu o aniversário de Néstor para me intimar em seu tribunal. O motivo? Prestar declarações indagativas múltiplas e simultâneas em oito supostas ‘investigações judiciais’, numa espécie de função cinematográfica contínua”, afirmou a ex-presidente e atual senadora, que foi alvo de dois mandados de prisão. Ela só não foi presa porque tem direito ao foro privilegiado.
Para a senadora,o magistrado pretende torná-la responsável “mais uma vez” da mesma “suposta formação de quadrilha” pela qual já está sendo investigada em outra corte e perante dois tribunais orais, mas agora no “Caso dos Cadenos”.
“Algo inédito e inexplicável que só pode ser compreendido dentro de um esquema de perseguição e crueldade que apenas governos totalitários se atreveram a fazer em tempos em que o Estado de Direito estava suspenso”, acrescentou Cristina.
“No entanto, devo reconhecer que, em termos cinematográficos, este filme mereceria um Oscar por sua originalidade. O roteiro é do promotor Carlos Stornelli e de um de seus parceiros, Marcelo D’Alessio; fotografados, filmados, gravados e ‘whatsappeados’ extorquindo e subornando empresários no caso das fotocópias dos cadernos”, insistiu a ex-presidente.
Cristina afirmou que na direção do filme está o próprio Bonadio e na montagem “e produção” a frente governante ‘Cambiemos’, liderada pelo atual presidente, Mauricio Macri.
No dia 15 de fevereiro, a polícia prendeu o advogado Marcelo D’Alessio, acusado por um empresário de pedir propina em nome do promotor Stornelli para livrá-lo de ser investigado no caso “dos cadernos”, conhecido assim pelas anotações nas quais o motorista do Ministério de Obras Públicas registrou os supostos pagamentos de propina de empresários que ele distribuía com seu carro a funcionários do governo.
No meio da polêmica, Stornelli denunciou D’Alessio e enfatizou que tudo se trata de uma “clara operação” para “prejudicar” o caso que ele investiga, que indica uma suposta rede de pagamento de propina em troca de contratos públicos, e que mantém na prisão vários ex-integrantes dos governos kirchneristas e empresários.
“Enquanto projetam esse filme pela rede nacional de meios governistas, os argentinos e argentinas já não sabem como fazer para pagar pelos materiais escolares, as contas de luz, gás e água, a parcela de um financiamento, as despesas e os aluguéis, as compras do supermercado”, concluiu a ex-governante em suas mensagens na internet.
*Com informações da Agência EFE
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