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Gustavo Petro anuncia conversas de paz com maior organização narco da Colômbia

Clã do Golfo, maior produtor mundial de cocaína, quer ser reconhecido como grupo político e obter um tratamento judicial diferenciado, semelhante ao concedido a guerrilheiros e paramilitares

Felipe Cerqueira

Gustavo Petro durante discurso na Quinta de San Pedro Alejandrino, em Santa Marta
Petro comienza "conversaciones fuera de Colombia" con la principal banda criminal del país Carlos Ortega/EFE

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou nesta sexta-feira (8) o início de negociações no exterior com o Clã do Golfo, maior grupo de narcotraficantes do país. O grupo, que se autodenomina Exército Gaitanista da Colômbia, reúne cerca de 7.500 integrantes entre combatentes e redes de apoio. É o maior produtor mundial de cocaína e representa um dos principais desafios de segurança para o governo de esquerda de Petro.

“Iniciamos conversas fora da Colômbia com o autodenominado Exército Gaitanista”, afirmou o presidente durante evento em Córdoba, sem detalhar os termos das negociações. O anúncio ocorre em meio à pior onda de violência registrada desde o acordo de paz de 2016, que desarmou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O Clã do Golfo busca ser reconhecido como grupo político e obter um tratamento judicial diferenciado, semelhante ao concedido a guerrilheiros e paramilitares, que respondem a um sistema de justiça transicional focado em reparação às vítimas e memória histórica, mais do que em penas de prisão. Especialistas em processos de paz apontam que o grupo não se enquadra nessa categoria por sua ligação contínua com atividades ilícitas e pela ausência de um projeto político, explica Gerson Arias, pesquisador da Fundação Ideias para a Paz (FIP).

No mês passado, o governo enviou ao Congresso uma proposta que oferece benefícios, como redução de penas e proibição de extradição, a grupos criminosos que concordem com o desarmamento. Desde o início do mandato, em 2022, Petro tenta negociar o desarmamento de grupos armados, mas ainda sem resultados concretos. “Estamos tentando retirar as finanças desses grupos que incendeiam a violência em muitas regiões da Colômbia”, declarou o presidente.

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Contexto e desafios

Especialistas afirmam que os grupos armados, financiados pelo narcotráfico e mineração ilegal, se fortaleceram durante o governo Petro. Com a política de paz estagnada e as eleições presidenciais previstas para 2026, Arias avalia que “não há tempo nem espaço político para avançar em um processo de paz” e que os anúncios servem como instrumento de campanha eleitoral.

Em 2023, a Colômbia registrou 253 mil hectares de cultivos ilícitos, segundo dados da ONU. Para conter o narcotráfico, as forças armadas intensificam a ofensiva contra os grupos ilegais. A escalada da ação contra essas organizações está ligada à pressão dos Estados Unidos, parceiro histórico da Colômbia na luta antidrogas.

O anúncio das conversas coincide com a assinatura, pelo presidente americano, de um decreto que classifica cartéis da América Latina como “terroristas globais”. Em setembro, os EUA decidirão se renovam a certificação da Colômbia como aliada na luta contra as drogas. Caso contrário, o país poderá perder apoio financeiro e militar para combater guerrilhas e narcotraficantes.

*Com informações da AFP
Publicado por Felipen Cerqueira

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