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Irã diz que ataques recentes dos EUA tornaram o cessar-fogo ‘praticamente sem sentido’

Retomada de operações militares afastou significativamente a chance do fim da guerra no Oriente Médio; segundo os iranianos, ataques são uma 'violação flagrante' por parte dos norte-americanos

Marcelo Bamonte

Irã diz que ataques recentes dos EUA tornaram o cessar-fogo ‘praticamente sem sentido’
Pessoas atravessam a rua em frente a um grande outdoor com retratos do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini (à esquerda), e do assassinado líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei (à direita), no centro de Teerã, em 8 de junho de 2026. Foto de ATTA KENARE / AFP

Após a retomada de ataques norte-americanos ao Irã, o Ministério de Relações Exteriores do país afirmou, nesta quinta-feira (11), que o cessar-fogo em vigor entre os iranianos e os EUA, aplicado desde abril, praticamente “não faz mais sentido”.

Os ataques ilegais e criminosos perpetrados pelos Estados Unidos nas últimas horas não apenas constituem uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas (…), mas também tornam a trégua algo praticamente sem sentido — afirmou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.

Os bombardeios americanos recentes visaram o sul do Irã. Também foram atingidos vários pontos próximos à capital, como Karaj, Nazarabad e Pishva, segundo a Guarda Revolucionária do país. O Paquistão, país que atua como mediador na guerra entre os países, lamentou a “escalada” militar dos últimos dias e reiterou seu apelo por uma “solução negociada”. Em declaração à imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores paquistanês, Tahir Andrabi, afirmou que a diplomacia e o diálogo devem ser os princípios orientadores para o processo de paz.

Na Jordânia, o Exército local anunciou que derrubou vinte mísseis iranianos, depois que a Guarda Revolucionária de Teerã reivindicou um ataque contra um centro de comando americano no país. “Na madrugada de quinta-feira (11), os sistemas de defesa antiaérea e a Força Aérea interceptaram e derrubaram 20 mísseis lançados a partir do Irã em direção a Azraq”, onde fica a base americana, declarou uma fonte militar. A instalação fica 80 km ao leste da capital, Amã. Segundo o Exército, a interceptação não provocou vítimas ou danos.

Em entrevista à Fox News, o presidente americano Donald Trump afirmou que aeronaves de combate dos Estados Unidos estavam conduzindo operações sobre o território iraniano. O republicano declarou ainda que representantes de Teerã teriam entrado em contato para solicitar a interrupção dos bombardeios, alegação posteriormente rejeitada pelo governo iraniano. Trump também sustentou que Israel não participou da operação e indicou que novas ações militares contra o Irã continuam sendo uma possibilidade.

Retomada dos ataques

O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (10) que os Estados Unidos retomariam os ataques contra o Irãapós acusar Teerã de brincar com Washington. “Vamos atacá-los… atacá-los com muita força”, disse Trump na Casa Branca. Segundo o presidente, os países estavam perto de um acordo, “mas eles (iranianos) continuam protelando, continuam nos fazendo de bobos.”

A declaração aconteceu em um momento em que o secretário-geral da ONU alertou para o risco de retorno a uma “guerra total” no Oriente Médio. Iniciada em 28 de fevereiro, com os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, a guerra provocou um cenário de caos na região e abalou os mercados mundiais até o anúncio de uma trégua, em 8 de abril.

Após a nova onda de ataque dos norte-americanos contra Teerã, a Marinha iraniana decretou que o Estreito de Ormuz estará totalmente fechado “até novo aviso”. A informação foi divulgada pela agência de notícias Mehr. De acordo com a reportagem, nenhuma embarcação poderá sair do Golfo Pérsico e do Mar de Omã e em caso de aproximação ao Estreito de Ormuz será considerada alvo inimigo pelos iranianos.

*Com informações da AFP