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Irã diz que negociação com os EUA entrou em ‘fase difícil’ após insultos de Trump

Apesar da declaração, iranianos não pretendem deixar a reunião

Estadão Conteúdo

Presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente dos EUA, Donald Trump SAUL LOEB / AFP

As negociações entre Washington e Teerã “entraram em uma fase difícil”, após a declaração “insultante” do presidente dos EUA, Donald Trump, segundo a agência de notícias estatal IRNA. Trump fez múltiplos avisos provocativos ao Irã neste domingo (21), incluindo a ameaça de “atingir o Irã muito fortemente novamente”.

Um funcionário com conhecimento das negociações disse à Associated Press que a delegação iraniana continua envolvida nas negociações e não indicou aos mediadores qualquer intenção de sair.

O funcionário pediu anonimato devido à sensibilidade das negociações. 

Reunião na Suíça

Estados Unidos e Irã retomaram neste domingo (21), na Suíça, as negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio, apesar do anúncio iraniano do fechamento do Estreito de Ormuz. O acordo-quadro assinado por Teerã e Washington na quarta-feira passada estabelece um período de 60 dias, renovável, para as discussões, que abordarão, entre outros temas, o programa nuclear iraniano.

No entanto, desde a assinatura, os obstáculos vêm se acumulando. O Irã exige que as negociações incluam um cessar-fogo no Líbano entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah. No sábado, diante da continuação dos bombardeios israelenses, o Irã anunciou em represália o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos.

A reabertura do estreito é um dos pontos‑chave do protocolo de acordo entre os Estados Unidos e o Irã.

O Irã havia bloqueado, no início da guerra, essa via marítima estratégica, por onde costumavam transitar cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais, o que provocou um aumento dos preços do petróleo.

Após o anúncio do Irã sobre seu novo fechamento, o comando americano para o Oriente Médio (Centcom) indicou que suas forças permaneciam “vigilantes”. Segundo o Centcom, 55 navios mercantes cruzaram o estreito em segurança no sábado.