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Israel ignora Trump, ataca o Irã e encerra cessar-fogo

Retomada dos bombardeios após dois meses de trégua abala mercados internacionais e faz preço do petróleo se aproximar de US$ 100

AFP

Pessoas inspecionam os destroços dos ataques aéreos israelenses ocorridos no domingo (7), perto do sítio arqueológico do hipódromo romano na cidade de Tiro, no sul do Líbano
Pessoas inspecionam os destroços dos ataques aéreos israelenses ocorridos no domingo (7), perto do sítio arqueológico do hipódromo romano na cidade de Tiro, no sul do Líbano KAWNAT HAJU / AFP

Israel e Irã voltaram a se atacar diretamente nesta segunda-feira (8), rompendo um cessar-fogo que durava dois meses. O novo capítulo de hostilidades ocorre apesar dos apelos públicos por moderação feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evidenciando o colapso das recentes tentativas diplomáticas de estabilizar o Oriente Médio.

A escalada teve início após um bombardeio israelense nos arredores de Beirute, no domingo (7). Em resposta, Teerã disparou uma salva de mísseis contra o território israelense. Ignorando a pressão da Casa Branca para conter a agressividade, os militares de Israel reivindicaram a autoria de novos ataques realizados nesta segunda contra sistemas de defesa iranianos e um complexo petroquímico.

“Israel e Irã devem parar de atirar imediatamente”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social. Em entrevista ao jornalista Barak Ravid, do portal Axios, o presidente americano reforçou o descontentamento: “Israel lançou seu ataque, e o Irã lançou o seu. Não precisamos de outro”.

Explosões e alerta máximo

O impacto dos confrontos foi sentido no coração das capitais. Em Teerã, uma forte explosão sacudiu o prédio do Ministério das Relações Exteriores enquanto um jornalista da AFP participava de uma coletiva de imprensa.

Simultaneamente, Jerusalém acordou sob o som de sirenes de alerta aéreo e detonações. Em resposta à ameaça iminente, as autoridades israelenses ordenaram o fechamento de escolas em todo o país, e o exército declarou estado de “alerta máximo”.

De acordo com a Guarda Revolucionária Iraniana, suas forças atingiram duas bases aéreas estratégicas em Israel e um complexo petroquímico em Haifa, no norte do país. Um oficial militar israelense confirmou que, desde domingo, a República Islâmica lançou cerca de 30 mísseis, além de dois projéteis disparados a partir do Iêmen.

Choque nos mercados e rotas comerciais

A instabilidade política atingiu rapidamente a economia global. O preço do petróleo Brent subiu 5%, aproximando-se da barreira de US$ 100 o barril, impulsionado pelo temor de bloqueios no Estreito de Ormuz — passagem vital para o comércio mundial de hidrocarbonetos sob influência iraniana. Paralelamente, as bolsas de valores registraram quedas acentuadas.

A situação é agravada pelos rebeldes houthis, no Iêmen. O grupo, apoiado por Teerã, proibiu a navegação de navios israelenses pelo Mar Vermelho, comprometendo outra rota estratégica para o comércio internacional.

Diplomacia sob pressão

A ofensiva israelense representa um duro golpe nos esforços diplomáticos liderados por Trump e outras potências, como China, Reino Unido e União Europeia. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, afirmou que as ações de Israel não podem ser dissociadas do apoio americano e alertou que os ataques comprometem o processo de paz.

Apesar da tensão, Teerã indicou que as consultas mediadas pelo Paquistão continuam. O governo iraniano, porém, mantém a exigência de que qualquer acordo inclua o fim dos combates no Líbano. Israel, por sua vez, sustenta que o ataque de domingo no distrito de Dahiyeh, em Beirute, visou um centro de comando militante.

A persistência do conflito e a estagnação econômica pesam sobre a população civil. Em Ahvaz, no Irã, a inflação corrói o poder de compra. “Abrimos mão de tudo: primeiro o lazer, depois as compras e agora até as refeições”, relatou Elaheh, uma personal trainer de 32 anos, à AFP. “A vida cotidiana virou uma piada; estamos apenas tentando sobreviver.”