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Itália anuncia envio de 500 militares a Milão após confrontos durante protestos

Segundo jornais locais, cerca de 50 pessoas foram presas na cidade e outras sete foram detidas em Bolonha

Estadão Conteúdo

MILÃO, ITÁLIA - 18 DE OUTUBRO: A polícia realiza diversas detenções e prisões enquanto manifestantes — incluindo muitos jovens — fogem das forças de segurança durante distúrbios urbanos, na sequência de protestos contra o alto custo de vida em Milão, na Itália, em 18 de outubro de 2026. Foram registrados danos a lojas e ao patrimônio público por toda a cidade durante os confrontos. Andrea Carrubba / Anadolu (Foto de Andrea Carrubba / Anadolu via AFP)
MILÃO, ITÁLIA - 18 DE OUTUBRO: A polícia realiza diversas detenções e prisões enquanto manifestantes — incluindo muitos jovens — fogem das forças de segurança durante distúrbios urbanos, na sequência de protestos contra o alto custo de vida em Milão, na Itália, em 18 de outubro de 2026. Foram registrados danos a lojas e ao patrimônio público por toda a cidade durante os confrontos. Andrea Carrubba / Anadolu (Foto de Andrea Carrubba / Anadolu via AFP) Andrea Carrubba / Anadolu via AFP

O governo da Itália anunciou nesta segunda-feira (19) o envio de mais 500 militares a Milão para reforçar a segurança após uma série de protestos violentos e saques registrados no fim de semana.

A medida foi antecipada pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, e deverá integrar um decreto-lei sobre segurança pública que o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni pretende analisar nesta terça-feira, 20, segundo a agência de notícias ANSA.

“Das palavras à ação! Mais 500 militares para proteger Milão. Uma vitória para a Liga”, escreveu Salvini nas redes sociais. O vice-premiê também lidera o partido de direita Liga, que defende o endurecimento das medidas de segurança.

As manifestações ocorreram em diferentes cidades italianas, incluindo Roma, Turim, Milão e Bolonha, e reuniram trabalhadores, estudantes e organizações sociais que reivindicavam melhores condições de vida, direitos trabalhistas e serviços públicos.

Em Milão, Turim e Bolonha, os protestos foram marcados por confrontos entre manifestantes e policiais, lançamento de pedras, uso de gás lacrimogêneo e canhões de água, além de detenções e danos ao patrimônio.

Até a noite de sábado (17), as autoridades italianas não haviam divulgado um balanço oficial de presos e feridos. Segundo jornais locais, cerca de 50 pessoas foram presas em Milão e outras sete foram detidas em Bolonha. Ao menos um policial e aproximadamente 20 manifestantes ficaram feridos.

Entre os feridos está Angelo de Simone, dirigente da polícia e chefe de um comissariado, que sofreu um ferimento na cabeça.

Governo prepara endurecimento

O reforço do contingente militar faz parte das medidas discutidas pelo governo italiano após os episódios de violência. Em reunião presidida por Meloni no Palazzo Chigi, sede do Executivo, ministros, representantes da Presidência do Conselho de Ministros e dirigentes das forças policiais e dos serviços de inteligência avaliaram os confrontos registrados nas manifestações.

Durante o encontro, as autoridades consideraram que os episódios apresentam características diferentes das observadas anteriormente, com uma variedade de causas que ainda precisam ser compreendidas.

O governo pretende ampliar a operação Strade Sicure (Ruas Seguras), responsável pelo emprego de militares em atividades de segurança. Além do envio de 500 soldados a Milão, está em análise a possibilidade de atribuir aos militares funções de polícia judiciária. Outra proposta em discussão é a ampliação da detenção preventiva para até 24 horas, inclusive com mudanças nas regras aplicadas a menores de idade.

O decreto também poderá prever medidas de prevenção contra pessoas consideradas perigosas para a ordem pública, a criação do crime de dano qualificado e alterações nas regras de prisão de envolvidos em atos de devastação durante manifestações. Entre as possibilidades examinadas está a prisão posterior ao flagrante, em até 48 horas, para determinados crimes cometidos durante os protestos.

Parte dessas medidas já consta da legislação italiana ou de um projeto de lei sobre segurança aprovado pelo Conselho de Ministros em julho e atualmente em análise no Senado. Por isso, as equipes jurídicas do governo ainda avaliam quais alterações poderão ser incorporadas ao novo decreto.

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, condenou os episódios de violência, mas defendeu uma avaliação cuidadosa das circunstâncias dos confrontos. “Toda forma de violência é inaceitável”, afirmou Mattarella, ao destacar a necessidade de uma “análise inteligente e aprofundada” e de uma vigilância capaz de combater atos violentos praticados por pessoas que até então não estavam envolvidas nesse tipo de episódio.

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