Líder político talibã diz que EUA quebrou pacto ao atacar contra alvos do Estado Islâmico
Um membro da cúpula política dos talibãs criticou neste domingo, 29, os ataques realizados pelas forças dos Estados Unidos contra alvos do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) em Cabul, com o argumento de que essas ofensivas não fazem parte do acordo feito para a retirada. “Firmamos um acordo com os americanos em Doha a respeito e os ataques vão contra o pacto. Segundo o acordo, eles não podem interferir nos assuntos do Afeganistão depois da retirada”, declarou Abdulhaq Wasiq, membro do gabinete político dos islâmicos, em entrevista ao canal afegão Tolo. Os comentários de Wasiq vieram após Washington confirmar neste domingo um ataque contra um alvo do EI em Cabul, em retaliação ao atentado cometido na quinta-feira passada que deixou ao menos 170 mortos e cuja autoria foi reivindicada pelo grupo jihadista.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, um drone americano atingiu um veículo no qual três jihadista supostamente se deslocavam ao aeroporto. Um dos jihadistas morreu. Este novo ataque americano, o segundo da semana, ocorre um dia após um drone matar dois jihadistas do EI e deixar outro ferido em represália ao atentado contra o aeroporto. Até o momento, os talibãs não informaram sobre suas ações após o ocorrido no aeroporto, mas garantiram que prenderão os responsáveis. Em Doha, os talibãs e os Estados Unidos fecharam um acordo com o qual os americanos se comprometem a retirar todas as suas tropas do país desde que os talibãs aceitassem cumprir diversas condições.
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Uma dessas condições era dialogar com o governo de Cabul para alcançar um acordo político para a paz e não permitir que o Afeganistão servisse de base para grupos terroristas. No entanto, apesar das negociações, os talibãs aproveitaram a retirada das tropas estrangeiras para realizar uma ofensiva militar e derrubaram o governo. Com a tomada de Cabul, após vencerem em quase todas as províncias do país, os talibãs exigiram que os americanos cumprissem sua parte do acordo e saíssem do Afeganistão até 31 de agosto.
*Com informações da EFE.
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