JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Debate Presidencial | 20h00 - 22h00
Mundo

Macron diz que ‘nada justifica’ violência em protestos na França

O presidente francês também destacou que 'não se confunda' os vândalos com os manifestantes que fazem reivindicações 'legítimas'

AFP

emmanuel macron
Macron indicou que autoridades poderiam proibir determinadas manifestações nos próximos dias EFE/EPA/OLIVIER MATTHYS

O presidente da França, Emmanuel Macron, ressaltou neste domingo (18) que “nada justifica” nem “serve de desculpa” para os distúrbios e saques que ocorreram na véspera, em meio a protestos contra o aumento do custo de vida, e prometeu que os autores serão responsabilizados.

A seis meses da eleição presidencial, o caos registrado ontem nas grandes cidades da França colocou o governo sob pressão, acusado de não prever o risco de excessos.

A polícia de Paris enfrentou manifestantes e novos saques neste domingo, enquanto autoridades avaliavam os danos causados na véspera pelos distúrbios, que resultaram em quase 2,4 mil detidos e cerca de mil policiais feridos.

“Todos sentimos nesta noite raiva e vergonha. Ver as ruas de nossas cidades devastadas dessa maneira é insuportável”, lamentou Macron, que prometeu uma “ajuda rápida” aos comerciantes afetados pelos saques.

O presidente, que enfrentou várias ondas de protestos sociais e distúrbios urbanos desde 2017, pediu que não “confundam” os vândalos com aqueles que levaram às ruas reivindicações “legítimas”. Seu pronunciamento ocorreu após a oposição cobrar explicações e respostas do governo.

Macron indicou que as autoridades poderiam proibir, “se necessário”, determinadas manifestações nos próximos dias, mas não anunciou medidas drásticas.

A turbulência ocorre a seis meses das eleições presidenciais, das quais Macron não poderá participar, devido ao limite de mandatos, enquanto a líder da extrema direita, Marine Le Pen, lidera as pesquisas. Ela criticou o que chamou de “poder macronista exausto, desorientado”, e “uma crise de confiança e de autoridade profunda, que faz pesar uma ameaça sobre a democracia”.

Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, acusado por Marine e pelo governo de incentivar os protestos, convocou Macron a responder às reivindicações dos manifestantes e a não “piorar” a situação.

Novos distúrbios

Uma concentração não autorizada reuniu centenas de pessoas na Praça da República, no centro de Paris, onde cinco estabelecimentos foram saqueados. Forças de segurança, que prenderam 42 pessoas, tentavam dispersá-la com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.

Na cidade de Lyon, a polícia entrou em confronto com jovens que tentaram saquear uma loja de roupas de luxo.

Ali, 26, contou que circularam nas redes sociais convocações para “continuar a mobilização de ontem, com o objetivo de exaurir os policiais”. Pelo menos 1.500 estabelecimentos comerciais foram danificados em todo o território neste sábado, segundo a Federação de Comércio e Distribuição.

A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, anunciou uma comissão parlamentar para investigar a violência e a atuação das forças de segurança, questionada pela oposição e por vários prefeitos.

Um jovem de 17 anos perdeu uma das mãos em Saint-Étienne, devido à explosão de uma granada lançada pelas forças de segurança, e uma adolescente da mesma idade perdeu um dos olhos em Mulhouse.

Macron encarregou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, de tirar “todas as lições necessárias em matéria de informação e antecipação, e de fazer o que for preciso para que isso não possa voltar a acontecer”.

Interesse internacional

As cenas de caos deram a volta ao mundo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, associou a imigração aos distúrbios e pediu à França que endurecesse suas normas migratórias.

Sobre a principal queixa dos manifestantes, relacionada ao aumento do custo de vida, impulsionado, em parte, pela guerra no Oriente Médio, o presidente francês disse que o governo fazia “todo o possível”.

continue lendo