Maduro diz que falou com Trump apenas uma vez e nega contato recente
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse em uma entrevista transmitida nesta quinta-feira que teve “apenas uma conversa” com seu homólogo americano, Donald Trump, em uma tentativa de esclarecer “especulações” após uma declaração feita pelo republicano na segunda-feira sobre um telefonema “muito recente”.
“Estive vendo especulações sobre uma segunda conversa. Nós tivemos (…) apenas uma conversa. Ele me ligou na sexta-feira, 21 de novembro, da Casa Branca. E eu estava no Palácio Miraflores”, disse Maduro em entrevista ao intelectual franco-espanhol Ignacio Ramonet, transmitida pela emissora estatal “VTV”.
O mandatário venezuelano, que denuncia “ameaças” por parte dos Estados Unidos no contexto da mobilização militar que Washington mantém no Caribe, reiterou que a conversa foi “muito respeitosa” e que durou “10 minutos”.
“A primeira coisa que ele me disse foi: ‘Mr. President Maduro’. E eu lhe disse: ‘Mr. President, Donald Trump'”, contou Maduro, que dirigia seu carro enquanto Ramonet fazia a entrevista regular de cada 1º de janeiro.
Maduro também disse que a conversa com Trump foi “agradável”, mas que as “evoluções” posteriores “não foram agradáveis”.
Na última segunda, Trump afirmou que falou “muito recentemente” com Maduro, mas que a conversa não foi frutífera para reduzir a pressão de Washington contra a Venezuela, no contexto de uma campanha para combater o narcotráfico, do qual culpa o país sul-americano.
“Falei com ele. Muito recentemente. Mas não saiu muita coisa disso”, disse Trump à imprensa ao ser perguntado se havia falado recentemente por telefone com o mandatário venezuelano.
Os Estados Unidos mantêm desde agosto do ano passado uma mobilização militar no Mar do Caribe, perto de águas venezuelanas, para supostamente combater o narcotráfico, mas o governo da Venezuela denuncia que se trata de um pretexto para buscar uma mudança de regime.
As tensões entre Caracas e Washington escalaram após o anúncio de Trump de bloquear todos os petroleiros sancionados que entrem e saiam da Venezuela, e a apreensão de dois navios que transportavam petróleo venezuelano nas últimas semanas.
O presidente americano anunciou ainda, na última sexta, um ataque contra uma “grande instalação” em um cais, mas não precisou se ocorreu dentro do território venezuelano.
Segundo informou o jornal “The New York Times” na segunda-feira, a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos realizou na semana passada um ataque com drones contra uma instalação portuária na Venezuela. No entanto, o governo venezuelano ainda não se pronunciou.
*EFE
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Eliseu Caetano
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