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Papa cobra ações concretas em mensagem à COP30: ‘Mudança climática não é ameaça distante’

Em vídeo divulgado pelo Vaticano, pontífice afirmou que o Acordo de Paris 'impulsionou um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta'

Sarah Américo

O Papa Leão XIV saúda a multidão após a oração do Regina Caeli, da varanda central principal da Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 11 de maio de 2025
O Papa Leão XIV saúda a multidão após a oração do Regina Caeli, da varanda central principal da Basílica de São Pedro, no Vaticano, em 11 de maio de 2025 Alberto PIZZOLI / AFP

O papa Leão XIV pediu nesta segunda-feira (17) que líderes globais adotem “ações concretas” diante do agravamento da crise climática e lamentou a falta de “vontade política de alguns” governantes. A declaração foi feita em uma mensagem em vídeo dirigida a líderes religiosos reunidos à margem da COP30, em Belém do Pará.

Na gravação, divulgada pelo Vaticano, o pontífice afirmou que o Acordo de Paris “impulsionou um progresso real e continua sendo nossa ferramenta mais poderosa para proteger as pessoas e o planeta”. No entanto, ponderou que o problema não está no acordo em si, mas na resposta insuficiente dos países. “O que está falhando é a vontade política de alguns”, declarou.

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Leão XIV destacou ainda a urgência de preservar a Amazônia, que descreveu como um “símbolo vivo da criação com uma necessidade urgente de cuidado”. O papa alertou para os impactos já sentidos pelas populações mais vulneráveis. “A criação clama em inundações, secas, tempestades e um calor implacável. Uma em cada três pessoas vive em grande vulnerabilidade devido a essas mudanças”, afirmou. “Para elas, a mudança climática não é uma ameaça distante. Ignorar essas pessoas é negar nossa humanidade compartilhada.”

O pontífice reforçou que ainda é possível limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, mas advertiu que “a janela está se fechando”. As negociações oficiais da ONU entram nesta semana em sua fase final, com países ainda divididos sobre pontos decisivos. O Acordo de Paris, firmado em 2015, voltou ao centro dos debates após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar pela segunda vez a retirada do país do pacto, que busca manter o aquecimento global abaixo de 2°C e, preferencialmente, em 1,5°C.

Desde sua eleição em maio, Leão XIV — nascido em Chicago e com cerca de duas décadas de trabalho missionário no Peru — tem defendido que governos adotem medidas corajosas para enfrentar a mudança climática.

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*Com informações da AFP