Reino Unido e Alemanha se opõem a Macron sobre UE-Mercosul
O Reino Unido uniu-se à Alemanha neste sábado (24) ao criticar a decisão do presidente francês, Emmanuel Macron, de obstruir um acordo comercial entre a União Europeia e o grupo Mercosul dos países sul-americanos para pressionar o Brasil contra incêndios florestais – além de levar a questão à cúpula dos países ricos, o G-7, em Biarritz.
Em uma declaração surpresa anteontem, Macron disse que havia decidido se opor ao acordo UE-Mercosul e acusou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro de mentir quando minimizou as preocupações com as mudanças climáticas.
Em sua chegada para a cúpula, ontem, Macron fez um apelo para que “todos os países ajudem o Brasil e outros países sul-americanos a combater os incêndios na Floresta Amazônica”. Neste sábado, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, reforçou as críticas. “É difícil imaginar ratificação harmoniosa (do acordo) enquanto o Brasil permitir essa destruição.”
Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, criticou essa postura, um dia depois de o escritório da chanceler alemã Angela Merkel ter feito o mesmo em Berlim.
“Há todo tipo de pessoa que usará qualquer desculpa para interferir no comércio e frustrar acordos comerciais”, disse. Johnson afirmou, porém, temer a “irreversibilidade” da destruição florestal e prometeu “apoio aos brasileiros”. Na sexta, 23, um porta-voz de Angela Merkel disse que não concluir o acordo “não é a resposta apropriada para o que está acontecendo no Brasil agora”.
Após o presidente Bolsonaro ver na ação de Macron uma intervenção indevida – e cogitar até chamar o embaixador francês para cobrar explicações -, o governo francês virou alvo de críticas do governo.
O secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, usou suas redes sociais ontem para rechaçar “pitacos” e dizer que “Macron não consegue controlar o racismo nem o antissemitismo de seu país”. Seu colega de Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse nas redes sociais que há mais fogo em Angola e Congo do que na Amazônia e citou possível interesse dos “ineficientes agricultores franceses”.
Com o telefonema anteontem de Donald Trump e do presidente Bolsonaro, o governo brasileiro espera que os Estados Unidos indiquem, durante o G-7, que só aceitarão discutir os incêndios na região da floresta amazônica com a presença e participação do Brasil. Isso, segundo interlocutores do governo brasileiro, foi tratado na conversa entre os dois presidentes.
Protestos
Com Biarritz fechada para a cúpula do G-7, manifestantes antiglobalização e ambientalistas se reuniram em cidades na fronteira franco-espanhola para cobrar atenção à agenda ambiental. Houve confronto com tropas de segurança.
*Com Estadão Conteúdo
continue lendo
Política
Perícia recusou ao menos 15 aparelhos de operação sobre ‘Dark Horse’ por falha no lacre
Equipamentos tinham selo intacto, mas perícia identificou vão que permitiria conexão USB
- Argentina amplia denúncias de atividades petrolíferas ilegais próximo das Malvinas Europa Press · há 2 horas
- Trump diz ser ‘horrível’ decisão da Corte de rejeitar restrição sobre voto por correio AFP · há 2 horas
- Turquia prende dezenas de manifestantes que protestavam contra a repressão LGBTQIA+ AFP · há 3 horas
- Bruxelas diz que ‘prioridade’ é repatriar ao Marrocos migrantes ilegais do país em Ceuta Europa Press · há 3 horas