Rússia questiona veracidade dos documentos que ligam líderes mundiais a paraísos fiscais
Em posicionamento distribuído nesta segunda-feira, 4, o Kremlin questionou a veracidade dos documentos divulgados pela investigação jornalística Pandora’s Papers, que aponta o envolvimento de várias pessoas do entorno do presidente da Rússia, Vladimir Putin, com práticas financeiras suspeitas. O material apurado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) veio à tona neste domingo, 3, e foi abertamente criticado por Moscou. “Conhecemos bem o trabalho dessa organização, sabemos de onde obtém a informação e como a obtém”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista coletiva. “Estes documentos provocam perguntas, mas não entendemos como é possível confiar nessa informação”, completou o integrante do governo da Rússia.
Peskov indicou que, até o momento, o governo não avaliou como irregularidade as informações que constam no material divulgado pelo ICIJ. “Não sei se haverá mais publicações, mas, por enquanto, não vimos nada especial”, disse o porta-voz, descartando qualquer investigação oficial sobre russos citados no Pandora’s Papers. Peskov ainda disparou contra os Estados Unidos, apontando que se trata do país com maiores “lacunas fiscais e lacunas tributárias” do mundo. “Isso mostra uma grande distância entre as declarações sobre a intenção de combater a corrupção, a sonegação de impostos e a lavagem de dinheiro, se essa é a realidade que temos”, disse o porta-voz do Kremlin, ao se referir à Washington.
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O Pandora’s Papers apontou para diversas lideranças mundiais que operavam em paraísos fiscais, como Ilhas Virgens Britânicas, Panamá ou o estado de Dakota do Sul, nos EUA, evitando assim o pagamento de impostos. A investigação se baseia em 11,9 milhões de arquivos e é maior que o chamado “Panama Papers”, que veio à tona em 2016 e levantou um debate global sobre este tipo de mecanismo de envio de remessas de dinheiro para o exterior. Entre os russos envolvidos no mais recente escândalo está o diretor-geral de uma emissora de televisão local, Konstantin Ernst, conhecido como “ministro não-oficial de propaganda” de Putin, além de Svetlana Krivonogikh, amiga íntima do presidente e suposta mãe da terceira filha do chefe de governo. Além disso, ainda constam na lista de citados familiares de pessoas ligadas à administração federal, como Vladímir Kiriyenko, filho do chefe-adjunto de gabinete do presidente da Rússia. As agências públicas de notícias do país omitiram qualquer menção à presença de russos no Pandora’s Papers, enquanto veículos independentes de comunicação divulgaram informações sobre o caso. Ao todo, três líderes mundiais e 11 ex-presidentes foram acusados no escândalo.
*Com informações da EFE
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