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Trump: o efeito colateral pode ser pior que a doença

Aparentemente, o presidente americano não está muito preocupado com o derretimento de preços em Wall Street; pelo contrário, quer ir até as últimas consequências para reindustrializar os EUA

Felipe Cerqueira

trump
Trump EFE/EPA/KENT NISHIMURA / POOL

Novamente as bolsas mundiais operam no vermelho. É a terceira sequência de quedas fortes em três dias. Os mercados de capitais no mundo inteiro têm sido atingidos. A leitura é que a escalada da guerra comercial transforma estruturalmente as relações comerciais entre as nações. É um mundo mais fragmentado, menos globalizado, mais inflacionário.

É cedo ainda para cravar até onde vai o movimento de queda das ações. Mas uma coisa é certa: se a guerra comercial continuar, o buraco vai ser bem mais embaixo. Aparentemente, o presidente americano Donald Trump não está muito preocupado com o derretimento de preços em Wall Street. Pelo contrário, quer ir até as últimas consequências para reindustrializar os EUA. Inclusive, confirmou isso com a sua fala: “Às vezes é preciso tomar remédio”.

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O problema é até quando a população americana vai tolerar os efeitos colaterais do remédio. Por enquanto, é o valor dos seus investimentos caindo (lembrando que muitos americanos médios poupam comprando ações). Daqui a alguns meses, poderá ser inflação e redução da atividade econômica. Se isso ocorrer, o efeito colateral da medicação poderá trazer mais malefícios do que a própria doença (desindustrialização).

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