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UE proíbe termo ‘carne vegetal’; título só pode ser usado para ‘partes comestíveis de animais’

Consumo de alternativas vegetarianas quintuplicou na União Europeia desde 2011

AFP

Imagem retrata prato feito com proteína de origem vegetal.
Imagem retrata prato feito com proteína de origem vegetal. Uncommon (food company), CC BY 4.0 , via Wikimedia Commons

O Parlamento Europeu aprovou, nesta terça-feira (16), uma lei que proíbe o uso do termo “carne vegetal” a fim de proteger os pecuaristas, embora autorize salsichas e hambúrgueres vegetarianos.

A proibição, que ainda precisa da aprovação definitiva dos Estados-membros, representa uma vitória para os pecuaristas, que argumentam que os alimentos de origem vegetal que imitam a carne podem induzir os consumidores ao erro e prejudicar seu setor.

“Esta é uma vitória para nossos produtores, para sua experiência e para a transparência que se deve aos consumidores“, afirmou Celine Imart, produtora de cereais e deputada francesa de direita que impulsionou a proposta.

O texto restringe o uso da etiqueta genérica “carne”, assim como uma longa lista de termos que incluem “vitela”, “porco”, “frango”, “peru”, “pato” e “cordeiro”.

Além disso, define claramente a carne como “partes comestíveis de animais“, proibindo também seu uso para produtos cultivados em laboratório ou à base de células.

Mercado vegetariano

Uma proibição mais ampla para impedir a comercialização de alimentos de origem vegetal como “hambúrgueres” ou “salsichas” não chegou a ser imposta, em virtude de um acordo alcançado em março entre os eurodeputados e os Estados-membros.

Os varejistas do setor de alimentos na Alemanha, o maior mercado europeu de produtos alternativos de origem vegetal, tinham se oposto a este veto, junto com ambientalistas e defensores dos consumidores.

A lenda da música e vegetariano declarado Paul McCartney também havia se manifestado em defesa dos bifes à milanesa de soja e das salsichas de tofu.

O consumo, na União Europeia (UE), de alternativas vegetais aos produtos feitos com carne quintuplicou desde 2011, segundo dados da organização de consumidores BEUC, impulsionado pela preocupação com o bem-estar animal, o impacto ambiental da pecuária e questões de saúde.

No entanto, o debate ainda não foi concluído. A nova norma será aplicada, em um primeiro momento, até o final do próximo ano.

Para o período seguinte, já estão em curso as negociações sobre a organização comum de mercado da UE para os produtos agrícolas, que é revista a cada sete anos.