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Zelenski deve aceitar a atual linha de frente para avançar acordo de paz

Declarações representam uma importante mudança de discurso em relação à postura que vem adotando desde o início do conflito

Estadão Conteúdo

Volodymyr Zelensky
No entanto, ele destacou que, embora queiram acabar com a guerra o mais rápido possível EFE/Marcel Gascón

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, mostrou-se disposto a congelar as atuais linhas de frente se isso permitir avançar em direção a um acordo de paz, declarações que representam uma importante mudança de discurso em relação à postura que vem adotando desde o início do conflito.

“Neste momento, precisamos congelar o conflito e acredito que essa seja a maneira real de pôr fim a esta guerra”, reconheceu o presidente ucraniano em entrevista à Fox News, quando questionado se aceitaria um acordo de paz neste momento, em que a Ucrânia perdeu cerca de 20% de seu território.

“Congelar e interromper. E, é claro, isso é o mínimo que precisamos atualmente da Rússia. Depois, naturalmente, nos dirigiremos ao presidente e aos europeus para solicitar garantias de segurança. O mais importante é a paz e a certeza de que a ocupação e as mortes não voltarão”, afirmou.

Zelenski enfatizou que essas garantias de segurança por parte dos Estados Unidos devem estar presentes em qualquer acordo de paz, além da ajuda dos demais parceiros para reconstruir o país junto com os 9,5 milhões de ucranianos “que perderam suas casas e que agora se encontram no exterior”.

No entanto, ele destacou que, embora queiram acabar com a guerra o mais rápido possível, “ninguém pode simplesmente ir embora” e abandonar suas casas. “Estamos falando de ficarmos onde estamos. Vamos recorrer à diplomacia”, disse Zelenski, que elogiou a “ótima ideia” de seu homólogo norte-americano, Donald Trump, de implementar um cessar-fogo.

Da mesma forma, ele defendeu que qualquer acordo alcançado deve passar pelo Parlamento do país, já que é o povo ucraniano que arca com todas as perdas e os esforços desta guerra. “Temos uma democracia forte e, por isso, acredito que seja justo”, afirmou.

Continuam as limitações do Starlink

Com relação aos atrasos do Starlink – fundamental para as comunicações militares da Ucrânia -, Zelenski explicou que ainda há certas limitações, embora tenha a garantia do secretário de Estado, Marco Rubio, de que isso será resolvido o mais rápido possível; por outro lado, o fluxo de informações de inteligência já está funcionando.

Zelenski também justificou que suas últimas divergências com o presidente Trump, divulgadas pela mídia, foram motivadas por essas limitações e problemas com o Starlink, que é vital para a defesa do país.

Assim, ele explicou que essas falhas impediram, nos últimos dias, que se enfrentassem vários ataques em grande escala nos quais foram utilizados drones iranianos. “Não é para fins ofensivos. Nós o usamos apenas para defender a vida dos civis, pois é nas cidades e nos vilarejos que temos esses interceptadores”, afirmou.

Atualmente, a linha de frente se estende por cerca de 1.000 quilômetros e as forças russas controlam aproximadamente 20% do território ucraniano, incluindo a península da Crimeia – anexada à Rússia em 2014 – e as regiões do Donbass.

Zelenski passou de exigir a retirada total das tropas russas e a recuperação da integridade territorial com as fronteiras de 1991 para uma postura mais pragmática, na qual a sobrevivência do Estado e o fim da guerra prevalecem sobre essas exigências máximas, que Moscou nunca levou em conta nas negociações de paz

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