Acusado se declara culpado perante o TPI por destruir patrimônio de Timbuktu
Achmad al Mahdi al Faqi, conhecido como “Abu Turab” e primeiro acusado de crimes de guerra pela destruição de bens patrimônio da humanidade em Timbuktu (Mali), se declarou culpado perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) no julgamento que começou nesta segunda-feira.
Entre os monumentos que Al Mahdi, suposto integrante do movimento terrorista Ansar al Din, teria destruído ou ajudado a destruir em 2012 figuram nove mausoléus e a mesquita de Sidi Yahya, do século XV, na mítica Timbuktu.
“Com grande pesar devo apresentar minha culpabilidade. Todos as acusações contra mim são precisas e corretas”, afirmou em uma declaração o acusado, que garantiu que sente uma “grande dor” pelos fatos cometidos e pediu perdão à população do Mali e à comunidade internacional.
“Espero que a pena imposta seja suficiente para conseguir o perdão” de todos os afetados, acrescentou.
Por sua vez, o presidente da câmara de primeira instância do alto tribunal internacional lembrou a Al Mahdi que, caso seja declarado culpado, pode ter uma pena de até 30 anos de prisão.
A ela seria possível somar uma multa ou o confisco dos bens extraídos direta ou indiretamente dos crimes cometidos.
A Corte acredita que este processo inédito seja um precedente para outros casos similares.
Entre os edifícios que supostamente Al Mahdi teria destruído ou ajudado a destruir figuram nove mausoléus e a mesquita de Sidi Yahya, do século XV.
A promotor do TPI, Fatou Bensouda, o acusa de ser o líder dos ataques em Timbuktu e de participar fisicamente em vários deles.
Na audiência de confirmação das acusações contra Al Mahdi em março, Bensouda disse que os mausoléus e a mesquita destruídos “eram importantes não só desde um ponto de vista histórico e religioso, mas também de identidade para o povo do Mali”.
Em janeiro de 2012, começou no Mali um conflito armado durante o qual a cidade de Timbuktu esteve sob o controle de vários grupos terroristas, incluído Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) e Ansar Al Din.
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