Aeronáutica apresenta relatório de acidente que matou Eduardo Campos

  • Por Jovem Pan
  • 19/01/2016 16h54
Reprodução Vídeo registra queda violenta e explosão do avião de Eduardo Campos

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou nesta terça-feira (19) o relatório com o resultado das investigações realizadas nos últimos 17 meses para apurar o desastre aéreo que vitimou o então candidato do PSB e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

O investigador encarregado e o investigador do fator operacional apresentaram o relatório nesta tarde e afirmaram que a investigação contou com um procedimento inédito de análise da voz do co-piloto na gravação dos contatos com o controle de tráfego.

-Ao todo, 18 especialistas atuaram na investigação do acidente desde o dia 13 de agosto de 2014. Segundo o Brigadeiro Schuck, “não é objetivo nosso encontrar culpados ou responsáveis, mas prevenir novos acidentes”.

Segundo o Investigador Encarregado, “durante as comunicações não houve qualquer chamada da tripulação que representasse uma condição de emergência”. Eles alegaram que o procedimento do voo até a decolagem no Aeródrmo Santos Dumont, no RJ, transcorreu sem anormalidades. O Tenente-coronel Raul de Souza expôs ainda a cronologia dos acontecimentos até o momento do acidente. A Força Aérea Brasileira ressaltou, por meio de seu Twitter, que “todas as informações são apuradas, estudadas e aplicadas durante a investigação do Cenipa”.

Foram descartadas hipóteses como fogo na aeronave, voo de dorso (cabeça para baixo) e colisão em voo, segundo a FAB.

Segundo a análise, os destroços continham alto grau de destruição interna após o impacto contra o solo. “Não houve evidência de fogo em voo; evidência de impacto com potência”, diz um dos tópicos da apresentação. O trem de pouso estava recolhido e as conchas dos reversores fechadas, segundo a investigação.

As informações mostram que, após a última inspeção, a aeronave tinha voado 30h10min após sua última inspeção.

Segundo a Aeronáutica, não havia qualquer registro de inoperância do Cockpit Voice Recorder (CVR). A última gravação armazenada datava de 23 de janeiro de 2013, um ano e sete meses antes do acidnete. “Não foi possível determinar o motivo pelo qual o CVR da aeronave deixou de ser energizado após 23 de janeiro de 2013”, alegaram os investigadores.

O Cenipa divulgou ainda vídeos inéditos obtidos durante a investigação, que mostram o momento do acidente.

Condição do piloto e co-pioloto

Mais cedo, o jornal O Estado de S. Paulo antecipou que o cansaço do piloto do avião, Marcos Martins, foi um dos fatores contribuintes para o acidente, que teve uma sequência de falhas humanas. Os exames indicaram a compatibilidade com fadiga e sonolência do co-piloto.

Além do uso de “atalho” para acelerar o procedimento de descida na Base Aérea de Santos, outro problema apontado foi a falta de treinamento do piloto para aquela aeronave, a Cessna 560 XL.

Nas investigações, foi detectado que a relação entre o piloto e co-piloto não era boa. Geraldo Magela Barbosa, o copiloto, teria pedido para não voar mais com Martins. O cansaço de Martins foi notado pelo seu tom de voz.

A equipe que investigou as causas que levaram à tragédia levantou todo o perfil psicológico, pessoal e profissional de ambos.

Tripulação

A aeronave não atendia as condições de aeronavegabilidade desde janeiro de 2013 devido a inoperância de CVR, declarou a FAB. A tripulação estava em conformidade com o previsto em lei, nos sete dias anteriores ao acidente.

“Tudo o que estamos fazendo aqui é para entender o que a tripulação fez sem cumprir os procedimentos previstos”, afirmou o Tenente-coronel, Raul de Souza.

O acidente

Enquanto voava em condições de voo por instrumento, a tripulação perdeu o controle da aeronave. O impacto contra o solo foi a 694,5km/h, afirmou a Aeronáutica.

Além da inexperiência dos pilotos para o comando do específico modelo da aeronave, as condições meteorológicas estavam degradadas.

Entre os fatores contribuintes para o acidente estão: altitude, desorientação, condições meteorológicas e indisciplina de voo. A sobrecarga de tarefas também foi um dos fatores avaliados, no entanto, não há como determinar sua contribuição no acidente.