Analistas acreditam que vídeo com reféns japoneses pode ter sido manipulado
Tóquio, 21 jan (EFE).- O vídeo divulgado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) exigindo US$ 200 milhões em troca da vida de dois reféns japoneses pode ter sido manipulado, opinaram nesta quarta-feira especialistas informáticos japoneses.
O grupo jihadista divulgou na terça-feira um vídeo através de internet, no qual dava um ultimato de 72 horas ao povo japonês para que pressione seu Executivo e tome a decisão de pagar essa quantia ao EI, a fim de salvar as vidas dos reféns.
Segundo os analistas, existem elementos que insinuam que as imagens poderiam ter sido manipuladas como a pouco crível iluminação e a rigidez das expressões dos rostos dos reféns.
No vídeo, os dois sequestrados, identificados como Haruna Yukawa e Kenji Goto, aparecem ajoelhados e vestidos com um macacão laranja que já é frequente nos filmes do grupo.
Junto a eles aparece um combatente encapuzado que exige em inglês com acento britânico ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, o resgate e o culpa por ter oferecido US$ 200 milhões de ajuda aos países que colaborem na luta contra o EI.
Para o professor associado da Universidade Politécnica de Tóquio, Tsuyoshi Moriyama, especialista em processamento de dados de imagens, isto sugere que pode ser uma combinação de cenas gravadas separadamente .
Moriyama apontou à emissora pública “NHK” que a sombra do jornalista Kenji Goto -situado à esquerda- se encontra no lado direito, enquanto a do outro refém, Yukawa, está à esquerda, um efeito incomum se o vídeo tivesse sido gravado com luz natural.
O especialista considerou que há uma diferença na forma de ondear dos dois macacões laranjas, e que surpreende a expressão inalterável de ambos homens apesar de ter um mascarado após eles brandindo uma faca, pois as pessoas costumam reagir de algum modo se se sentem ameaçadas.
“Há algo muito raro para ser uma gravação no exterior”, coincidiu o especialista informático Shojiro Kuroda.
“Poderia ser uma montagem com as gravações de cada um juntos e uma imagem à parte do deserto”, estimou ao periódico Asahi. EFE
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