Às vésperas de cessar-fogo, leste da Ucrânia mantém clima de tensão

  • Por Agencia EFE
  • 13/02/2015 17h11
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Boris Klimenko.

Kiev, 13 fev (EFE).- O clima de apreensão continua no leste da Ucrânia, onde o governo de Kiev acusa os rebeldes pró-Rússia de realizarem uma última ofensiva para modificar a linha de separação de forças antes que o acordo de cessar-fogo entre em vigor no domingo.

“Hoje, tendo sobre a mesa o acordo sobre o cessar-fogo a partir das 0h00 do sábado para o domingo, os terroristas e as tropas russas receberam a ordem de içar a bandeira em Debaltsevo e Mariupol”, afirmou Piotr Mejed, vice-ministro da Defesa ucraniano, em entrevista coletiva.

Os milicianos rebeldes apertaram o cerco em torno de Debaltsevo, estratégica malha ferroviária entre Donetsk e Lugansk defendida desde janeiro por milhares de soldados ucranianos, ao tomarem o controle do vilarejo de Lohvynove.

Os insurgentes bloquearam a estrada que serve como via de entrada de produtos e materiais para as forças do governo, “desmoralizadas” e presas ao pânico, segundo os separatistas.

Embora o comando militar ucraniano negue que suas tropas estejam sitiadas, os separatistas pró-Rússia afirmam que o cerco é completo e recomendaram aos soldados ucranianos que “abaixem as armas e voltem para casa”, caso contrário serão liquidados.

“Estamos dispostos a organizar uma saída do cerco de Debaltsevo. Infelizmente, Kiev sacrifica os soldados em prol de suas ambições”, disse Eduard Basurin, número dois das milícias da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Na opinião de Basurin, em Debaltsevo há o risco de violação do acordo estipulado nesta semana na cúpula de Minsk entre os líderes de Ucrânia, Rússia, Alemanha e França.

“As formações armadas ucranianas que se encontram sitiadas nessa panela, inclusive depois da entrada em vigor do cessar-fogo, naturalmente tentarão romper o cerco, o que significaria uma violação da trégua. Potencialmente, existe esse perigo”, comentou Peskov.

Em resposta, o comando militar ucraniano afirmou que as forças governamentais não abandonarão em hipótese alguma as posições em Debaltsevo.

“Todas as tentativas do inimigo de conquistar novas posições e modificar a atual linha de separação em benefício próprio receberão a devida resposta dos militares ucranianos”, declarou um porta-voz militar ucraniano.

O Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia lembrou que na quinta-feira, em Minsk, ficou estabelecido que os milicianos se recuariam até a linha de separação estipulada em 19 de setembro de 2014, no Memorando de Paz, por isso Debaltsevo deve permanecer sob o controle de Kiev.

A entidade ressaltou que, dois dias depois da entrada em vigor do cessar-fogo, que será supervisado pela OSCE e por militares russos e ucranianos, deverá ser retirado o armamento pesado da zona desmilitarizada de 50 quilômetros de comprimento.

Enquanto isso, perto da cidade de Mariupol – porto do Mar de Azov controlado pelas forças governamentais e situado a dezenas de quilômetros da fronteira russa -, teve início uma grande batalha pelo controle da vizinha Shyrokyne.

O batalhão de voluntários Azov, um dos mais ativos na região de Donetsk, informou que os tanques de ambos os lados protagonizam travam uma sangrenta luta há horas.

Os civis continuam sendo as vítimas mais comuns dos combates. Pelo menos 13, entre eles três crianças, morreram nas ultimas 24 horas vítimas do fogo de artilharia ucraniana, segundo os rebeldes.

Além disso, quatro mulheres morreram nesta sexta-feira com o impacto de um projétil na cozinha de um café na cidade de Lugansk, principal reduto pró-Rússia na região homônima.

Em visita a um centro de treinamento da Guarda Nacional perto de Kiev, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, pediu para que não sejam criadas expectativas sobre o cumprimento do acordo estipulado em Minsk.

“Não quero que ninguém se iluda e que eu pareça ingênuo. Ainda falta muito para alcançar a paz e ninguém tem certeza se as condições assinadas em Minsk serão cumpridas. Há a esperança que, apesar de tudo, a partir de agora a situação caminhe rumo à contenção dos avanços. Espero que esse caminho nos conduza à paz”, disse.

Ao começarem as nuances do acordo de Minsk, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Pavel Klimkin, explicou nesta sexta-feira que não haverá indulto presidencial para os líderes rebeldes e que a anistia não beneficiará aos que participaram ou são acusados de crimes contra a humanidade.

A anistia gerou preocupação na Holanda, de onde era a maioria dos 298 passageiros do Boeing da Malaysia Airlines que morreram na queda do avião em julho de 2014, em Donetsk, segundo a Ucrânia, por fogo dos rebeldes pró-Rússia. EFE

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