Ataques do Boko Haram no nordeste da Nigéria deixam dezenas de mortos
Lagos, 15 jul (EFE).- Dezenas de pessoas morreram em vários ataques realizados pelo grupo terrorista Boko Haram em vários pontos da estrada que liga Maiduguri, capital do estado de Borno, a Damaturu, capital do estado de Yobe, ambos no nordeste da Nigéria, informaram testemunhas à Agência Efe nesta quarta-feira.
Os ataques de Boko Haram, que intensificou sua campanha de terror desde a posse do presidente Muhammadu Buhari, em 29 de maio, se concentraram neste grande eixo viário porque muitos muçulmanos viajaram a sua terra natal para celebrar o fim do Ramadã.
“Só na minha aldeia consegui contar mais de 30 corpos depois que esse pessoal (Boko Haram) veio e destruiu a cidade inteira na segunda-feira. Ninguém veio nos ajudar, apesar de termos dado o alerta”, relatou à Efe o morador Umar Maina.
Entre ontem e hoje, os membros do grupo mataram outras 15 pessoas em diversos ataques a caminhões e carros de passageiros que circulavam pela estrada Maiduguri/Damaturu.
“Vi vários caminhões em chamas que foram atacados e queimados ontem. Todos os motoristas foram assassinados”, relatava um passageiro que conseguiu escapar de um ônibus.
Apesar de dezenas de soldados terem sido enviados ao local, o número é insuficiente para proteger uma estrada vital para o abastecimento de Maiduguri, a maior cidade do estado de Borno e que foi objeto de vários atentados nas últimas semanas.
Em um dos ataques, os terroristas assaltaram ontem à noite a cidade de Warsala, que, no meio do caos, ficou deserta.
“Quando voltamos nesta manhã, encontraram pelo menos oito corpos”, disse um dos habitantes que conseguiu fugir e se abrigar em Maiduguri.
Nas últimas duas semanas, o grupo extremista Boko Haram matou mais de 450 pessoas na Nigéria, Chade, Camarões e Níger, na tentativa de retomar o conflito armado que mantém há anos contra o Estado nigeriano.
Desde fevereiro, uma força multinacional combate o Boko Haram no nordeste da Nigéria e nas regiões de fronteira com Chade, Camarões e Níger, uma ofensiva que durante meses conseguiu grandes avanços contra o grupo, mas que agora parece estagnada por conta da maior mobilidade dos milicianos. EFE
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