Autoridades garantem que aeroportos do Paraguai irão operar durante greve

  • Por Agencia EFE
  • 23/06/2015 21h02
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Assunção, 23 jun (EFE).- Trabalhadores dos principais aeroportos do Paraguai, em Assunção e Ciudad del Este, convocaram uma “greve total” de três dias de duração a partir de amanhã, quarta-feira, enquanto as autoridades aeroportuárias garantiram hoje à Agência Efe que os serviços “estarão completamente operacionais”.

Wilton Añazco, do Sindicato de Controladores do Tráfego Aéreo do Paraguai, disse à Efe que 100% dos controladores aderiram à greve, o que interromperá “totalmente” o tráfego aéreo nestes aeroportos, exceto para os serviços de emergência ou ambulância, que serão mantidos.

O sindicalista se referiu à “precariedade” e aos baixos salários do setor dos controladores, o que os obriga a ter outras ocupações para poderem se manter economicamente, fazendo com que tenham “jornadas totais de trabalho de 16 a 18 horas por dia”.

A categoria também cobra a homologação de contratos no setor para que sejam definidos aspectos como o valor da indenização por demissão, e que ponha fim à “instabilidade laboral” de muitos trabalhadores com vários anos de antiguidade.

Eles também exigem que estes aeroportos sejam excluídos da lista de entidades que podem ser alvo de projetos baseadas na lei de Aliança Público-Privada (APP).

“A lei de APP atenta contra a soberania e transforma o espaço aéreo do Paraguai em um bem privatizável, à disposição de uma empresa multinacional. Não podemos permitir isso em um país mediterrâneo como o Paraguai”, declarou Añasco.

Já o diretor da Direção Nacional de Aeronáutica Civil (Dinac), Luis Aguirre, declarou que “só quatro dos 12 sindicatos” que representam os trabalhadores do setor apoiam a greve, e afirmou que o aeroporto terá “pessoal suficiente” para manter os serviços.

Aguirre reconheceu o direito dos trabalhadores à greve, mas apontou que “também existe a obrigação legal de manter operativos serviços essenciais, como o do transporte aéreo”.

Ele destacou que em agosto deste ano poderia estar finalizada a licitação de um projeto, dentro da lei de APP, para a construção de um novo terminal com capacidade para dois milhões de passageiros no aeroporto de Assunção, cujas obras terminariam no primeiro semestre de 2018.

Aguirre lamentou que a convocação tenha acontecido em um “momento tão especial, quando o Paraguai se prepara para a vinda do papa Francisco”, entre 10 e 12 de julho, em que “o aeroporto de Assunção terá um papel-chave”.

Os líderes sindicais tiveram hoje uma reunião tripartite com representantes da patronal e do Ministério do Trabalho para chegar a um acordo para desconvocar a greve nos aeroportos, prevista para começar quarta-feira ao meio-dia. No entanto, o encontro acabou sem acordo entre as partes. EFE

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