Biblioteca de Sarajevo reabre 22 anos após ser arrasada na guerra

  • Por Agencia EFE
  • 09/05/2014 16h12

Sarajevo, 9 mai (EFE).- A antiga Biblioteca de Sarajevo, um dos símbolos da cidade e que foi arrasada durante a guerra da Bósnia em 1992, foi reaberta nesta sexta-feira em cerimônia solene após 18 anos de reconstrução.

O prefeito de Sarajevo, Ivo Komisic, declarou que hoje, Dia da Europa, foi escolhida para a reabertura, por ser a data símbolo da criação da União Europeia e do estabelecimento de “novos fundamentos de liberdade, tolerância, igualdade dos povos, solidariedade e democracia”.

“A prefeitura é o símbolo de nossa força de superar o passado e nosso desejo de um futuro diferente, mais belo”, ao lembrar que o estilo do edifício reúne diferentes culturas e civilizações, algo que qualificou como “o fundamento histórico da existência” da Bósnia.

Dezenas de operários, arquitetos, pintores e pesquisadores trabalharam na reconstrução para devolver o aspecto autêntico ao edifício, um dos monumentos culturais e históricos mais valiosos de Sarajevo, inaugurado em 1894, quando a Bósnia ainda fazia parte do império austro-húngaro.

Os trabalhos de reconstrução começaram em 1996 graças as doações da Áustria. Vários países e instituições colaboraram na restauração do edifício, que custou mais de 12 milhões de euros.

No início da guerra (1992-1995), a então Biblioteca Nacional da Bósnia-Herzegovina possuía dois milhões de publicações, entre eles milhares de textos antigos de grande valor histórico.

Centenas de milhares de livros foram destruídos em poucas horas na noite de 26 de agosto de 1992, em um incêndio causado pelos disparos do exército servo-bósnio, que manteve o assédio a Sarajevo durante os mais de três anos de guerra.

O edifício foi, entre 1918 até a II Guerra Mundial, sede da prefeitura da cidade. Após sua reabertura, será utilizada pelas duas instituições.

A cerca de 500 metros do emblemático edifício foram assassinados em 1914 o herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, e sua esposa Sófia, o que desencadeou o começo da I Guerra Mundial.

Durante a cerimônia de inauguração, cerca de 300 pessoas se manifestaram perto do edifício em uma tentativa de reviver os protestos contra o governo por causa da crise econômica e social na Bósnia que explodiram em fevereiro, quando foram incendiados edifícios oficiais.

O protesto de hoje foi organizado pelos chamados “plenos dos cidadãos”, formados depois dos protestos de fevereiro para articular esses pedidos. EFE