Adultos infectados com variante do Amazonas têm carga viral 10 vezes maior no corpo, diz estudo

Pesquisadores da Fiocruz analisaram 250 códigos genéticos durante quase um ano; mutação P.1 é considerada por especialistas como mais transmissível

  • Por Jovem Pan
  • 27/02/2021 16h01
EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 14/01/2021Levantamento está disponível para consulta nas redes sociais

Um estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que adultos infectados com a variante do novo coronavírus detectada no estado do Amazonas têm uma carga viral dez vezes maior do que adultos infectados por outras versões da Covid-19. A maior quantidade de vírus no organismo não está relacionada à gravidade do quadro de saúde do paciente, mas, sim, à facilidade de transmissibilidade da doença. A pesquisa está disponível para consulta nas redes sociais.

Foram analisados 250 códigos genéticos durante um intervalo de quase um ano, entre o primeiro pico da doença, em abril de 2020, e o segundo, no final do ano passado e início de 2021. Um dos pesquisadores, Tiago Graf explica, em seu perfil no Twitter, que a variante, chamada de P.1, gera maior carga viral entre adultos. “A comparação dos pacientes mostra claramente que infecção por P.1 gera maior carga viral em adultos. Em idosos a significância foi pequena ou nenhuma. Talvez porque nossa amostragem era menor nesse grupo ou porque esses indivíduos são igualmente vulneráveis a todas linhagens”, diz a publicação.

Em outro tuíte, Graf mostra um gráfico no qual é possível comparar a carga viral entre pacientes com a variante P.1 e outros com outra versão do vírus. Na imagem, quanto menor a quantidade no eixo vertical (Ct), maior a carga viral. Apesar de ter surgido no Amazonas, ao menos 18 estados já constataram a existência de pacientes infectados com essa variante, considerada por especialistas como mais transmissível.