Após polêmica, prefeitura de Manaus diz que não há irregularidade na vacinação de irmãs recém-contratadas

Filhas de uma família de elite da cidade de Manaus, as médicas Isabelle e Gabrielle Lins publicaram imagens recebendo imunizantes contra a Covid-19 pouco após efetivação ser publicada no Diário Oficial

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2021 21h00 - Atualizado em 20/01/2021 21h23
Reprodução de redes sociaisImagens da imunização das irmãs foram publicadas nas redes

A vacinação de duas médicas filhas de uma família de elite na cidade de Manaus, no Amazonas, gerou repercussão nas redes sociais nesta quarta-feira, 20. Em fotos publicadas nas redes sociais, as irmãs Gabrielle Kirk Lins e Isabelle Kirk Lins, nomeadas, respectivamente, nos dias 18 e 19 de janeiro para cargos na Secretaria Municipal de Saúde, comemoram a imunização por estarem na linha de frente contra a Covid-19. Filhas de Gisélle Lins, reitora da universidade Nilton Lins, que leva o nome do avô das irmãs, as duas se formaram durante a pandemia, foram efetivadas como “gerente de projetos” no município e passaram a trabalhar na Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada no terreno do campus da universidade da família.

Após repercussão negativa do caso, que atribuía a imunização de ambas a um “favor familiar” e as acusava de “furar a fila” da imunização, o prefeito da capital, David Almeida (Avante), fez uma transmissão ao vivo para explicar o ocorrido. Segundo ele, “fake news e mentiras” têm sido propagadas e 671 servidores que estavam trabalhando na atenção à Covid-19 foram vacinados no primeiro dia de imunização. A vacinação teria sido iniciada nas UBS porque o município estaria aguardando permissão do estado para entrar nas UTIs hospitalares e a contratação das médicas não teria sido influenciada pelo nome delas. “Nós estamos com aproximadamente 122 médicos afastados. Você não tem ideia da dificuldade de conseguir médicos. Nós estamos diariamente atrás de médicos e conseguimos 10 médicos que, pela primeira vez, se nomearam médicos no gabinete do prefeito. São vagas da prefeitura. Não dava tempo de fazer contrato”, afirmou Almeida.

Nas redes sociais, a médica Isabelle Lins, uma das vacinadas, publicou uma série de fotos mostrando críticas e xingamentos recebidos no seu perfil pessoal. “Tenho que ouvir que recebi devido a minha família, fazer atendimento primário e atender mais de 150 pacientes com Covid-19 ou com suspeita talvez não seja linha de frente para alguns”, disse em uma das imagens. Ela relativizou a informação de que teria sido privilegiada ao afirmar que nenhum outro familiar além da irmã, que também é médica, foi imunizado, inclusive aqueles considerados como grupo de risco da doença.

Nomeação das irmãs foi publicada no Diário Oficial de Manaus

“Nós estamos com aproximadamente 122 médicos afastados. Você não tem ideia da dificuldade de conseguir médicos. Nós estamos diariamente atrás de médicos e conseguimos 10 médicos que, pela primeira vez, se nomearam médicos no gabinete do prefeito. São vagas da prefeitura. Não dava tempo de fazer contrato”, afirmou o prefeito durante a transmissão ao vivo nas redes. “Elas estavam em serviço, estavam no seu plantão. Quando a equipe chegou na unidade, elas simplesmente tiraram o jaleco e foram vacinadas”, disse, garantindo que as equipes, a prefeitura e os vacinadores não cometeram atos ilícitos.

A versão da prefeitura sobre os atos ilícitos foi reafirmada em nota pública nesta quarta. “Sobre o caso das médicas Gabrielle Kirk Lins e Isabele Kirk Lins, vacinadas neste primeiro dia de imunização, não há nenhuma irregularidade, uma vez que se encontram nomeadas e atuando legitimamente no plantão da unidade de saúde, para a qual foram designadas, em razão da urgência e exceção sanitárias, estabelecidas nos primeiros 15 dias da nova gestão”, afirmou. Na ocasião, o prefeito também informou que uma portaria municipal proibiria que servidores públicos divulgassem imagens do seu momento de imunização nas redes sociais. Em nota, o perfil MBL Amazonas, responsável pela primeira publicação contra as irmãs, afirmou que “ambas escolheram trabalhar na linha de frente da maior crise de saúde do Amazonas” e que “ninguém escolhe em qual família nascer”. O Ministério Público do Amazonas foi procurado pela Jovem Pan, mas até o momento não informou se há investigações sobre o caso em curso.