Bancada feminina exige cota para mulheres na política

  • Por Agência Senado
  • 21/05/2015 12h57

"Queremos pedir o apoio a uma causa que não é só das mulheresProtesto Bancada feminina

Apesar de representarem a maior parte da população (52%), as mulheres são minoria na política. Atualmente menos de 10% das vagas da Câmara dos Deputados e pouco mais de 15% das do Senado são ocupadas por essa parcela. Para tentar mudar essa realidade e buscar maior equilíbrio na composição do Congresso Nacional, senadoras e deputadas promoveram um ato nesta quinta-feira (21), no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em defesa de um projeto que garante, pelo menos, 30% de mulheres na composição do parlamento e das assembleias legislativas e câmaras de vereadores.

As deputadas e senadoras que compõem a bancada feminina prometeram obstruir qualquer proposta de reforma política que não contemple a referida cota. O ato contou com a presença da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Eleonora Menicucci, que confirmou o apoio do governo à criação de cotas de gênero. A intenção é que a reserva de vagas seja incluída nas propostas em discussão sobre a reforma política. “O governo apoia, não só apoia, mas defende uma proposta de reforma política mais inclusiva e as mulheres são prioridade nessa inclusão”, disse Eleonora.

Durante o ato, senadoras e deputados repetiam a palavra de ordem: “30% já!”. A manifestação em defesa da maior igualdade de gênero na política ganhou corpo depois de divulgado relatório do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), apresentado na comissão especial sobre reforma política em funcionamento na Câmara. O texto sugere a adoção do modelo de voto majoritário para a composição dos parlamentos, o chamado distritão, nas próximas eleições, mas não assegura mais cadeiras para as mulheres.

Senadoras e deputadas temem que se o projeto for aprovado da forma que está, a diferença entre homens e mulheres se acentue. Por isso, a bancada feminina tenta reverter a situação por meio de emendas apresentadas na comissão. Caso a estratégia não dê certo, elas já articulam prioridade para votação de proposta que garante pelo menos 30% das vagas por gênero no Poder Legislativo, independentemente do sistema eleitoral aprovado.

Alguns parlamentares consideram que 30% de vagas é um número alto. A procuradora da Mulher no Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), observou que o texto garante que os homens também tenham direito a uma quantidade mínima de cadeiras, caso no futuro a situação atual se inverta. “O que queremos é pedir o apoio a uma causa que não é só das mulheres, mas da democracia e da sociedade”, defendeu.