Barroso rebate falas de Bolsonaro sobre voto impresso: ‘Vida institucional não é um palanque’

Ministro adotou tom duro ao responder declarações do presidente sobre a invasão ao Capitólio na última quarta-feira, 7

  • Por Jovem Pan
  • 07/01/2021 22h21 - Atualizado em 07/01/2021 23h03
Divulgação/TSEDeclaração de Barroso foi feita por meio de nota

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, rebateu as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o voto impresso nas eleições de 2022. “A vida institucional não é um palanque e as pessoas devem ser responsáveis pelo que falam. Se alguma autoridade possuir qualquer elemento sério que coloque em dúvida a integridade e a segurança do processo eleitoral, tem o dever cívico e moral de apresentá-lo. Do contrário, estará apenas contribuindo para a ilegítima desestabilização das instituições”, disse Barroso através de nota emitida nesta quinta-feira, 7. Mais cedo, Bolsonaro havia dito que, caso o voto impresso não fosse implantado no sistema eleitoral brasileiro em 2022, o Brasil viveria um cenário pior que o enfrentado pelos Estados Unidos na última quarta, 6, quando manifestantes pró-Trump invadiram o Capitólio. “Governantes democráticos desejam ordem. Por isso mesmo, não devem fazer acenos para desordens futuras, violência e agressão às instituições”, continua a nota.

No comunicado, Barroso afirma que nunca houve “qualquer razão para supor que os resultados proclamados não correspondem à vontade popular”, alegando que, até hoje, não foi apresentado nenhum indício de fraude no sistema de urnas eletrônicas. O ministro também fala que a implantação do voto impresso levaria a um custo adicional de quase R$ 2 bilhões “sem qualquer ganho relevante para a segurança da votação” e explica detalhadamente o funcionamento das urnas eletrônicas. Por fim, Barroso diz que o episódio que aconteceu nos EUA é constitui um “ato de incivilidade e de ataque às instituições”. O magistrado também diz que os EUA adotam o voto impresso e que isso “não impediu o ajuizamento de dezenas de ações para questionar o resultado eleitoral”.