Bloco de Esquerda de Portugal pede que visita de Bolsonaro em 2020 seja cancelada

Partido criticou as recentes declarações do presidente sobre a morte de Fernando de Santa Cruz durante a Ditadura

  • Por Jovem Pan
  • 01/08/2019 14h02
Marcos Corrêa/PR

O partido português Bloco de Esquerda, aliado do presidente socialista Marcelo Rebelo de Sousa, lançou um comunicado nesta quinta (1) pedindo o cancelamento da visita de Jair Bolsonaro ao país, prevista para o ano que vem.

A agremiação criticou as recentes declarações do presidente brasileiro sobre o ativista Fernando de Santa Cruz, que foi dado como desaparecido em 1974, em plena Ditadura militar, e cujo corpo nunca foi encorado. Documentos oficiais dão conta de que ele teria sido morto pelo próprio aparelho repressor do governo.

Santa Cruz foi integrante do grupo Ação Popular (AP) e é pai de Felipe de Santa Cruz, atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O partido português lamentou também o fato de Bolsonaro ter usado de ironia para dizer que um dia contará o que aconteceu com Santa Cruz ao seu filho, que “não vai querer saber a verdade”, em declarações que “causaram uma onda de indignação generalizada entre autoridades e políticos brasileiros”.

Por isso, a sigla considera que a visita de Bolsonaro indicaria ao povo “irmão” do Brasil que o Executivo português é “conivente com a constante falta de respeito à democracia demonstrada pelo atual governo” e pede ao Ministério de Relações Exteriores seu cancelamento.

“Os portugueses não podem manter-se indiferentes frente a um presidente que, como diz a Ordem dos Advogados do Brasil, parece ignorar os fundamento do Estado Democrático de Direito, entre eles a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da memória dos mortos”, acrescenta o comunicado.

A viagem de Bolsonaro a Portugal está prevista para o início de 2020, embora ainda não tenha sido divulgada uma data concreta, e seria a primeira visita do presidente ao país desde que tomou posse.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve presente no último mês de janeiro à posse de Bolsonaro, que lhe recebeu um dia depois.

Com Agência EFE