Bolsonaro nega troca na PF para ‘proteção da família’ e diz que vídeo de reunião é ‘cartada midiática’

  • Por Jovem Pan
  • 12/05/2020 16h44 - Atualizado em 13/05/2020 07h26
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoPresidente conversou com jornalistas na entrada do Palácio do Planalto, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o vídeo da reunião interministerial que está em posse do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do inquérito que investiga sua suposta interferência na Polícia Federal (PF), é uma “cartada midiática” para derrubá-lo e negou que pretendesse trocar o comando da corporação para “proteger a família”.

“Não existe no vídeo [menção à] PF e Superintendência. Quem trata da segurança da minha família é o GSI [Gabinete de Segurança Institucional]. O que a mídia está divulgando é ‘fake news’, algum ‘vazador’ está desinformado. O vídeo é a última cartada midiática para falar que o presidente interferiu na PF”, disse Bolsonaro.

Segundo a TV Globo, o vídeo da reunião ministerial, realizada em 22 de abril, seria “devastador”. Nela, o presidente teria relatado a necessidade de proteger seus familiares.

O presidente falou sobre o vídeo – que foi exibido nesta terça-feira (12) a membros da Procuradoria-Geral da República (PGR), da Advogacia-Geral da União (AGU) e ao ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro – em conversa com jornalistas na entrada do Palácio do Planalto, em Brasília.

“Os ministros vão depor agora. Eu não escondo nada de ninguém. O depoimento do Moro, quem leu viu que não tem acusação nenhuma. Do Valeixo, a mesma coisa”, afirmou, fazendo referência aos ministros Augusto Heleno (GSI), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), convocados para depor no inquérito.

O presidente não comentou a indicação de Alexandre Ramagem, que fazia parte de sua segurança e teve nomeação suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. “Estou casado com Rolando [atual diretor-geral da PF] e não vou falar sobre Ramagem.”

Em depoimento no mesmo inquérito mais cedo, Ramagem negou “intimidade pessoal” com a família Bolsonaro e afirmou ter frequentado a residência do presidente no Rio de Janeiro “para fins profissionais”. Bolsonaro detalhou, no entanto, que, durante a campanha, a equipe de segurança que o acompanhava fez “um churrasco” e que ele e o vereador Carlos Bolsonaro teriam comparecido.

Ao comentar a gravação da reunião, Bolsonaro disse ainda que, “no momento, a fita é classificada como secreta” e que sua possível divulgação “pode ser conversada”. “Em uma reunião ministerial sai muita coisa. A fita era para ter sido destruída e não foi. Jamais eu iria faltar com a verdade.”

A defesa de Sergio Moro defende que o vídeo da reunião seja divulgado na íntegra. Já Bolsonaro afirma que, por envolver “questões de segurança nacional”, a divulgação deve se ater aos assuntos tratados no inquérito.