Bolsonaro chama operação da PF contra fake news de ‘lamentável’: ‘Desfecho triste’

  • Por Jovem Pan
  • 28/05/2020 20h37
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoO inquérito foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal e a operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes

O presidente Jair Bolsonaro chamou, nesta quinta-feira (28), de “desfecho triste” a operação feita ontem pela Polícia Federal que resultou em 29 mandados de busca e apreensão. Segundo ele, o cumprimento das diligências foi algo “lamentável” por atingir “gente de bem”.

“Houve uma operação da PF ontem, 29 pessoas, a maioria delas sofreram busca e apreensão, hoje pela manhã eu falei sobre isso. O que é bom quando você se expressa é porque você se coloca no lugar da pessoa que sofre esse ato. Imagina se eu fosse um capitão da reserva com atividades bastante assíduas nas redes sociais. De repente, seis da manhã chega a PF para fazer busca e apreensão. São gente de bem, pessoas que me apoiam, apoiam a política que a gente tem, são conservadores, respeitam a família, são armamentistas, defendem o livre mercado, são pessoas normais”, afirmou em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

“Entendo que a liberdade de imprensa e de expressão é um dos pilares da democracia, mas se você quiser botar um limite, tem que saber até aonde vai essa linha, para não criar a censura no Brasil. Fiquei chateado com o inquérito, não tem base legal alguma”, continuou Bolsonaro.

O inquérito foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. O objetivo é apurar ameaças, ofensas e notícias falsas disseminadas contra integrantes da Corte e seus familiares.

Moraes pediu, ainda, a quebra dos sigilos fiscais e bancários de aliados do presidente, acusados de financiar sites que disseminam fake news. Bolsonaro negou que recebam dinheiro dele e argumentou “que nem tem fonte de recursos para isso”.

O ministro do STF Edson Fachin decidiu hoje encaminhar para análise do plenário da Corte o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para suspender as investigações.