Câmara mantém veto de Bolsonaro, e servidores públicos não poderão ter reajuste nos salários

Funcionários da saúde e segurança que estão na linha de frente no combate ao coronavírus também foram incluídos na restrição, que segue até o final de 2021

  • Por Jovem Pan
  • 20/08/2020 19h54 - Atualizado em 21/08/2020 08h27
Najara Araujo/Câmara dos DeputadosProibição de reajuste foi uma contrapartida do governo federal para repassar R$ 60 bilhões aos estados e municípios, em maio

A Câmara dos Deputados decidiu nesta quinta-feira, 20, por 316 votos a favor, 165 contra e duas abstenções, manter o veto do presidente Jair Bolsonaro à possibilidade de reajuste salarial para todas categorias do funcionalismo público até o fim de 2021, o que significa que esses profissionais não poderão ter aumento dos salários. A proposta foi aprovada pelo Congresso dentro do pacote de socorro de R$ 125 bilhões aos estados e municípios, mas acabou barrada pelo Palácio do Planalto, que queria que a restrição fosse ampliada para todos os profissionais, incluindo funcionários da área da saúde e segurança pública.

A suspensão do reajuste por 18 meses foi negociada com o governo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), relator da matéria. Alcolumbre atuou para garantir os recursos sem a necessidade de corte salarial em 25%, que era a primeiro proposta do Executivo. Inicialmente, o governo autorizou o reajuste de salários de funcionários da saúde e da segurança pública que trabalham na linha de frente do enfrentamento à Covid-19, dispositivo que foi vetado por Bolsonaro. O trecho derrubado também liberava a possibilidade de reajustes para algumas categorias de outras áreas, como profissionais de assistência social e de educação pública, desde que estivessem diretamente envolvidos no combate à pandemia. O Senado tentou reverter, mas não conseguiu. Ficam de fora da restrição os aumentos aprovados antes do estado de calamidade pública, como o concedido aos militares das Forças Armadas pela Lei 13.954/19.

Após decisão dos senadores contrária ao veto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o Senado deu “um péssimo sinal” e classificou a decisão como “um crime”. “Pegar dinheiro de saúde e permitir que se transforme em aumento de salário para o funcionalismo é um crime contra o país”, disse. “Colocamos muito recurso na crise da saúde, e o Senado deu um sinal muito ruim permitindo que justamente recursos que foram para a crise da saúde possam se transformar em aumento de salário. Isso é um péssimo sinal”, afirmou. Já o presidente Jair Bolsonaro disse ser “impossível” governar o país se a Câmara mantivesse a decisão do Senado.

Outros vetos

A 1ª secretaria do Congresso Nacional, deputada Soraya Santos (PL-RJ), que presidiu a sessão, informou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), decidiu retirar de pauta o veto sobre o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) que previa a carência de oito meses para começar a pagar as parcelas do empréstimo tomado de bancos participantes pelas micro e pequenas empresas. Em votação, a Câmara também rejeitou o veto presidencial número 20, sobre a lei que criou um regime jurídico emergencial durante a pandemia.

Vetos a outros quatro projetos, que começaram a ser analisados na Câmara e tinham sido derrubados pelos deputados, também foram derrubados pelos senadores – e com isso, caíram de vez. Entre eles, estava o veto de Bolsonaro à obrigatoriedade do uso de máscara em escolas e comércios.