Caminhoneiros protestam em rodovias de 16 Estados e mantêm mobilização em Brasília

Manifestações são acompanhadas pelo Ministério da Infraestrutura; grupo bloqueia terminal de distribuição da Petrobrás em Santa Catarina

  • Por Jovem Pan
  • 08/09/2021 18h15 - Atualizado em 08/09/2021 23h15
CHICO FERREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Caminhoneiros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fazem paralisação em estradas que dão acesso ao estado do Mato Gross

Grupos de caminhoneiros bloquearam nesta quarta-feira, 8, trechos em rodovias federais em ao menos 16 Estados, segundo informações do Ministério da Infraestrutura. Até às 17h30, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) havia identificou focos de mobilizações na Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Maranhão e Rio Grande do Sul. O número de Estados subiu para 16 em atualização feita às 22h30 com Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia, Maranhão, Roraima, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pará. Em Santa Catarina, um grupo de manifestantes fechou a saída de um terminal de distribuição de combustíveis da Petrobras no município de Biguaçu, região metropolitana de Florianópolis. Dois pontos com bloqueio total foram registrados no Rio Grande do Sul e, segundo a PRF, estão sendo desmobilizados. Os manifestantes estão impedindo a passagem apenas de veículos de carga. Veículos de passageiros e de cargas perecíveis estão liberados. A expectativa do governo federal é desbloquear totalmente todas as vias até a 0h desta quinta-feira, 9. De acordo com a pasta, o movimento não possui liderança única. “Não há coordenação de qualquer entidade setorial do transporte rodoviário de cargas e a composição das mobilizações é heterogênea, não se limitando a demandas ligadas à categoria.” O ministério ainda afirma que a PRF está nos locais para impedir qualquer movimentação à força por parte dos manifestantes.

O ato foi contestado por empresários e entidades do setor. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Urubatan Helou, diretor-presidente da Braspress, uma das principais transportadoras do país, pede para que a PRF, a Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) controlem a situação e desbloqueiem as rodovias. “Não podemos repetir 2018, quando houve aquela greve dos caminhoneiros. O Brasil não pode ficar desabastecido”, afirmou. Em nota de repúdio, a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) afirmou que o movimento é de natureza política e não possui relação com as bandeiras e reivindicações da categoria. “Preocupa a NTC o bloqueio nas rodovias o que poderá causar sérios transtornos à atividade de transporte realizada pelas empresas, com graves consequências para o abastecimento de estabelecimentos de produção e comércio, atingindo diretamente o consumidor final, de produtos de todas as naturezas inclusive os de primeira necessidade da população como alimentos, medicamentos, combustíveis, etc”, afirma o texto assinado pelo presidente da entidade, Francisco Pelucio. “A NTC deixa claro que não apoia esse movimento, repudiando-o, orientando as empresas de transporte a seguirem em sua atividade e orientando os seus motoristas para em caso de bloqueio ao trânsito dos seus veículos acionarem imediatamente a autoridade policial solicitando sua liberação.”

Grupos de caminhoneiros também seguem estacionados em Brasília. Segundo informações da Polícia Militar do Distrito Federal, os manifestantes ocupam as laterais das duas vias que dão acesso à Praça dos Três Poderes, próximo ao bloqueio montado pelas forças de segurança para os atos de 7 de Setembro. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram centenas de pessoas ao redor da Esplanada dos Ministérios. Apesar da concentração dos manifestantes, a Polícia Militar afirma que não foram registradas ocorrências de tentativa de invasão ao espaço que leva ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso Nacional. Mais cedo, um grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro tentou invadir a sede do Ministério da Saúde, em Brasília. Os manifestantes foram impedidos de entrar no prédio pelos seguranças. A confusão teria se iniciado após o grupo avistar jornalistas que trabalhavam no local. Uma equipe da Record TV afirmou ter sido encurralada e ameaçada pelos manifestantes. Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que não houve invasão e que ninguém foi preso. “A PMDF foi acionada para verificar uma situação envolvendo jornalistas e manifestantes. Quando chegou no local, a situação foi resolvida”, informou.