Cancelado devido à Covid-19, Carnaval em SP tem festas clandestinas com mais de mil pessoas

Contrariando restrições, ‘promoters’ afirmam que eventos ilegais devem acontecer do Morumbi ao Tatuapé até a Quarta-Feira de Cinzas e que não há chances de a polícia interromper a festa

  • Por Giullia Chechia Mazza
  • 14/02/2021 10h22
MISTER SHADOW/ASI/ESTADÃO CONTEÚDOBloco de rua em São Paulo no Carnaval de 2020; suspensão definitiva da comemoração deste ano na cidade ocorreu na sexta-feira, 12, através de comunicado do prefeito Bruno Covas

Lembrado pelas festas, músicas e aglomerações, o mês de fevereiro será diferente em 2021. Devido à pandemia do novo coronavírus, o carnaval foi cancelado ou adiado em diversos estados do país, inclusive em São Paulo. A suspensão definitiva da comemoração na capital ocorreu nesta sexta-feira, 12, através de um comunicado do prefeito Bruno Covas (PSDB). Além disso, no fim de janeiro, as gestões municipal e estadual anunciaram o cancelamento do ponto facultativo de Carnaval. No entanto, apesar dos esforços políticos, parte dos foliões decidiu não abrir mão das comemorações, frequentando festas organizadas clandestinamente enquanto dispara o número de casos e internações causadas pela Covid-19 no estado.

“É a melhor festa de carnaval da quarentena“, garante um dos organizadores da “Fexta Linda – A Tenda”. Divulgado no Instagram, o evento promete shows do DJ Lucas Beat, DJ Sapienza e DJ Bruu SP que se estenderam das 22h deste sábado, 13, às 5h de domingo, 14. A terceira edição da festa, que aconteceu em uma mansão na Zona Sul da capital, também contou com um open bar recheado de bebidas, como vodka, cerveja e, até mesmo, o serviço de “anões tequileiros”. As duas edições anteriores foram realizadas no período da pandemia. À reportagem, o organizador afirmou que mais de mil ingressos já foram vendidos, orientando a compra das últimas unidades por depósito via PIX, e prometeu que o evento será “o fluxo”, enviando vídeos registrados nas edições anteriores para comprovar o sucesso de público.

Reprodução/Whatsapp/Instagram

A festa “Arerê: Já é Carnaval” também compromete-se com a diversão dos jovens a partir das 22h deste sábado, desobedecendo as restrições em São Paulo. De maneira mais discreta, o evento é divulgado em grupos de WhatsApp através de um convite em vídeo enviado “apenas para convidados”. Para evitar que o agito seja interrompido, o documento afirma que os convidados devem pedir o endereço da festa aos organizadores em conversas privadas. As comemorações clandestinas ultrapassam o final de semana e arrastam-se do Morumbi ao Tatuapé até a Quarta-feira de Cinzas em São Paulo, segundo os “promoters”. Na Zona Leste, a casa noturna “Pacco Club”, localizada no bairro do Tatuapé, promete a “Segunda do Patrão” no próximo dia 15. O evento começa às 23h e será animado pelo DJ Samuk, DJ Cah e DJ Diego DC. Em conversa com a reportagem, que afirmou ser um cliente interessado em adquirir um convite, um dos funcionários revelou que a casa deve receber entre 300 a 400 pessoas. “Com nome na lista até 01h, mulher é VIP e homem paga R$ 30 seco ou R$ 60 com consumação. O camarote custa R$ 1.000, que podem ser convertidos em consumação”, disse. Questionado se haveria chance da polícia interromper a festa, afirmou que “não tem, já tá tudo no esquema. Baile até às 5h garantido”.

A fiscalização de aglomerações e eventos ilegais é de responsabilidade das prefeituras da cidade, mas a gestão João Doria garantiu suporte na ação. Desta forma, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo colocou mais de 30 mil policiais nas ruas para dar suporte aos municípios até quarta-feira, 17. Na capital, o prefeito Bruno Covas promete cassar o alvará de estabelecimentos que fizerem as festas clandestinas de Carnaval. “A prefeitura pode entrar complementando a fiscalização, por exemplo, com a cassação do alvará, mas a coibição de festas é prática de crime e responsabilidade da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo”, concluiu Covas.