Lula, pressão e corrupção: 12 vídeos e os principais trechos da entrevista com Cármen Lúcia

  • Por Jovem Pan
  • 24/03/2018 09h53 - Atualizado em 24/03/2018 09h57
Derek Flores/Jovem PanPresidente do STF Cármen Lúcia falou com exclusividade à Jovem Pan no primeiro dia do julgamento do "habeas corpus" preventivo de Lula

Nesta sexta-feira, a Jovem Pan veiculou importante entrevista exclusiva com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia.

A ministra falou ao jornalista Augusto Nunes logo após a sessão do Supremo que começou o julgamento do “habeas corpus” preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na Lava Jato.

Confira, em 12 trechos selecionados de 10 temas, os principais assuntos abordados na conversa:

Lula e cansaço dos ministros

Cármen Lúcia disse que a exaustão física dos ministros do Supremo obrigou a interrupção da sessão que começou a avaliar o recurso de Lula para não ser preso.

A ministra também afirmou que o ex-presidente não deve ser tratado pela Justiça nem com privilégio, nem ser destratado. Veja:

“Juridiquês”

Cármen Lúcia reconheceu que a Justiça brasileira precisa ser mais clara em seu vocabulário. Ela até lembrou quando recebia ligações de madrugada de vereadores após decisões do Tribunal Superior Eleitoral, quando ela a presidia. Entenda por quê:

Pressões e #ResistaCármenLúcia

Pressionada por ministros do próprio STF e agentes políticos externos nos últimos dias para pautar a prisão após 2ª instância, a presidente do Supremo reconheceu: “o que nós vivemos hoje não é uma situação nem tranquila, nem um pouco capaz de dar uma resposta de serenidade às pessoas. Então eu não imaginaria nunca viver uma situação de estar no meio de um tumulto tão grande”. Cármen Lúcia citou poemas de Carlos Drummond de Andrade, seu poeta favorito:

No final da conversa, a presidente da mais alta Corte do País também falou sobre a hashtag que circulou recentemente nas redes sociais: #ResistaCármenLúcia, pedindo para que a ministra não aceitasse as pressões dos que tentam livrar políticos corruptos. A ministra disse que “está resistindo” e, exaltando sua vida pessoal, se disse uma “sobrevivente”:

“Pensaria mais” para aceitar o STF

Questionada se aceitaria novamente o convite para integrar o Supremo, a ministra destacou que uma cadeira no STF é um cargo que não se rejeita. Mas Cármen confessou que “penaria mais” antes de assumir o desafio, que tem implicações pessoais.

Cármen Lúcia disse que, no posto mais alto do Judiciário, já conheceu “o melhor e o pior da humanidade”:

Brigas e divisão no STF

Cármen Lúcia comentou a mais recente e ríspida discussão pública entre seus colegas de Corte, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Ela amenizou a discussão, assumiu que eles exageraram, mas garantiu que os ministros do STF sabem pedir desculpas. Para a presidente, se o Supremo está dividido é porque “o Brasil está dividido”:

Lentidão da Justiça e excesso de processos no Supremo

Cármen Lúcia lamentou o excesso de ações no STF e o fato de o brasileiro ser muito litigioso, mas disse que a Justiça tem a obrigação de dar uma resposta rápida às demandas da sociedade. A ministra também afirmou que o Supremo é “o mais austero tribunal” do Brasil. Veja dois trechos que tratam do tema:

Vida pessoal – rotina, sono e leitura

A presidente do STF também revelou que não tem dedicado o tempo que gostaria às leituras, devido ao excesso de trabalho, e que sente falta de ir ao cinema e ao teatro.

Com o sono atrasado, Cármen Lúcia vê filmes de madrugada:

Medida que mais a agradou

Ministra foi questionada por Augusto Nunes sobre qual medida mais a agradou pessoalmente. A resposta não está no STF:

Corrupção

A presidente do Supremo fez um bonito e otimista discurso contra a corrupção. A ministra disse que a corrupção é como uma “erva daninha” e comparou a democracia a um “arrozeiro”. Cármen criticou as “pequenos deslizes” do dia a dia dos brasileiros e a comparou à corrupção e lavagem de dinheiro:

Rio de Janeiro

Cármen Lúcia fez breve comentário sobre a violência no Estado do Rio de Janeiro, que está sob intervenção federal. Sem citar a medida imposta pelo governo de Michel Temer, a ministra disse que não resolvem o problema “apenas alternativas momentâneas, alternativas mais superficiais, mas abre-se a necessidade de mudanças estruturais”.