Com dois milhões de pessoas a mais, Classe C pretende voltar ao consumo em 2019, diz pesquisa

  • Por Jovem Pan
  • 17/03/2019 13h48 - Atualizado em 17/03/2019 13h49
Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas Montante estimado de gastos da Classe C é de R$ 1,57 trilhão para 2019

Cerca de dois milhões de pessoas entraram para a chamada Classe C em 2018, o que representa 1% a mais nessa parcela da população.

Embora ainda não tenham recuperado o que perderam durante o período de recessão (o crescimento do PIB ficou abaixo de zero em 2015 e 2016) e baixo crescimento (O Brasil cresceu apenas 1% em 2017 e 1,1% em 2018), as famílias que já faziam parte dessa categoria socioeconômica estão mais otimistas com o que está por vir.

Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, especializado em estudar os hábitos da classe C, elas pretendem voltar a comprar bens de maior valor agregado em 2019, como eletrodomésticos e materiais de construção. Mas a preocupação com o custo-benefício hoje é maior.

Essa nova relação com o consumo é “caminho sem volta”, segundo Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Com o aumento ainda tímido – de 0,9% – da renda desse contingente no ano passado, para convencer as famílias a gastarem o dinheiro que têm em mãos – montante estimado em R$ 1,57 trilhão para 2019 -, as empresas terão de suar.

“As marcas vão precisar saber muito mais sobre os hábitos desses consumidores para convencê-los a abrir a carteira”, diz Meirelles. “O consumo agora não vai estar mais ligado ao acesso a qualquer custo, à ostentação, mas sim à performance e à relevância de cada produto.”

Otimismo

Esse retorno ao consumo é pautado muito mais pela expectativa do que por avanços econômicos consistentes. Isso porque tanto o emprego quanto a renda ainda estão longe de recuperar os níveis anteriores à crise. Apesar da queda da inflação e do juro básico no patamar mínimo de 6,5% ao ano, o desemprego está na faixa de 12%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para este ano, no entanto, as expectativas de crescimento do PIB ainda se situam em cerca de 2%, apesar de reduções recentes nas estimativas, o que pode ter um efeito positivo especialmente para a classe média. Segundo cálculos da consultoria MacroSector, a renda da classe C poderá crescer 3,5% em 2019, sobre o ano passado. A consultoria também projeta alta de 3% para as vendas no varejo este ano.

Todas essas perspectivas, no entanto, dependem de fatores ainda não concretizados – como a aprovação das reformas estruturais no Congresso. “Há uma expectativa de crescimento respaldada na aprovação das reformas. Caso isso não ocorra, podemos entrar numa crise pior do que a de 2014”, afirma José Ronaldo Souza Júnior, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

*Com informações do Estadão Conteúdo