Coronavírus: Cientistas descobrem nova variante que já se espalhou por vários estados brasileiros

Segundo o coordenador da Corona-ômica, Fernando Spilki, a mutação provavelmente surgiu em São Paulo, e só não chegou à região Centro-Oeste

  • Por Carolina Fortes
  • 12/03/2021 16h48
Reprodução / NIAIDO vírus SARS-Cov-2, causador da Covid-19, atacando células humanas

Uma nova variante do Sars-CoV-2 foi descoberta por cientistas brasileiros. A mutação tem uma origem distinta das linhagens brasileiras P.1 — de Manaus — e P.2 — do Rio de Janeiro –, e já se espalhou por estados de todas as regiões do Brasil, menos do Centro-Oeste. A descoberta foi relatada numa comunicação conjunta à Rede Corona-ômica de sequenciamento genético do Sars-CoV-2 por cinco instituições, coordenadas pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). A mesma variante também foi descrita por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em um estudo independente.

A nova variante compartilha com a P.1 e a P.2 a mutação E484K na proteína S do vírus, alvo da maioria das vacinas e testes de diagnóstico, e possivelmente foi originada da linhagem B.1.1.33, que circula no Brasil desde o início de 2020. Segundo o coordenador da Corona-ômica, Fernando Spilki, a variante provavelmente surgiu em São Paulo, por volta do mês de novembro. “Ela deve ser chamada de N.9. Já se espalhou por vários estados na Região Norte, Nordeste, São Paulo e Santa Catarina, menos no Centro-Oeste. Está bem disseminada, mas em um número menor de amostras”, explicou em entrevista à Jovem Pan. Spilki afirma, no entanto, que ainda é necessário aguardar mais tempo para concluir se ela é mais perigosa que as outras. “Ela não é relacionada diretamente com a P.1 e com a P.2. É derivada de outra linhagem e também com uma mutação bastante similar. Atentamos para a importância de manter a vigilância genômica”, disse.

Em estudo, a Fiocruz observou que prevê que a pandemia da Covid-19 no ano de 2021 será “dominada por uma matriz complexa de B.1.1.28 (484K), incluindo P.1 e P.2, e B.1.1.33 (484K) variantes que irão substituir completamente as linhagens 484E parentais que impulsionaram a epidemia em 2020”. Por isso, os pesquisadores alertam para a implementação de medidas eficientes de mitigação do vírus, “para reduzir a transmissão na comunidade e prevenir o surgimento recorrente de variantes mais transmissíveis que podem agravar ainda mais a epidemia no país”.