De planeta fome à Voz do Milênio: carreira de Elza Soares foi brilhante no samba, bossa nova e MPB

Carreira da diva brasileira se manteve relevante por mais de 60 anos ligada à história de luta e superação

  • Por Jovem Pan
  • 20/01/2022 18h43 - Atualizado em 20/01/2022 22h30
Arquivo/Estadao Conteúdo Foto em preto e branco da cantora Elza Soares Elza Soares durante apresentação no Festival da Música Popular Brasileira na capital paulista

Símbolo de resistência e dotada de um talento imensurável na história da música brasileira, Elza Soares morreu nesta quinta-feira, 20, aos 91 anos. Segundo comunicado da família, uma das maiores divas do Brasil morreu em sua casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais. Reconhecida pela BBC como a “Voz do Milênio”, Elza brilhou no samba, na bossa nova, na MPB e em tudo mais que empenhava a sua vontade. A primeira aparição pública da cantora, em 1953, foi um prenúncio da força que estava por vir. Aos 13 anos, Elza subiu ao palco do famoso show de calouros do programa de Ary Barroso. Ao se deparar com aquela menina de aspecto frágil, o apresentador questionou de onde ela vinha. Em resposta, ouviu da jovem a frase que se tornou uma lenda na música brasileira: “Vim do planeta fome”.

O desempenho da menina foi tamanho que fez o veterano apresentador de rádio preconizar a importância que ela teria na história do país. “Senhoras e senhores, nesse exato momento acaba de nascer uma estrela.” O prêmio que recebeu no programa e a impressão que causou, no entanto, não se traduziram em sucesso. Por anos, Elza cantou com orquestras em bailes e programas de rádio. O reconhecimento veio em 1960, com a gravação do seu primeiro disco. “Se Acaso Você Chegasse” virou um marco para a música brasileira e abriu as portas para a cantora negra, de origem miserável e com uma história marcada por tragédias.

Ao longo de de mais de 60 anos de carreira, a cantora lançou mais de 40 discos, se arriscou por diversas vertentes da música, foi parceira das maiores estrelas da história popular brasileira e ganhou reconhecimento dentro e fora do Brasil. O seu último registro foi lançado em dezembro do ano passado, uma gravação de um show ao lado de João de Aquino, feito em 1997. Antes, lançou discos com fortes vertentes sociais e feministas: “A Mulher do Fim do Mundo” (2015), “Deus é Mulher” (2018) e “Planeta Fome” (2019). A última apresentação da diva foi há pouco mais de um mês, no dia 19 de dezembro, no Festival Psica, em Belém do Pará. De uma forma com poucos paralelos no Brasil, Elza Soares conseguiu se manter relevante no atravessar das décadas. O seu talento e magnetismo únicos nunca envelheceram, e a cada nova geração a cantora é redescoberta e celebrada.