Em nova crítica ao STF, Dallagnol questiona: ‘Quantas pessoas o Supremo condenou na Lava Jato?’

Procurador foi punido em novembro após dizer que os ministros eram ‘lenientes com a corrupção’

  • Por Jovem Pan
  • 07/01/2020 18h39 - Atualizado em 07/01/2020 18h41
Renato S. Cerqueira/Estadão Conteúdo"O esquema era político partidário, permeado de muitos detentores de foro privilegiado", afirmou

O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (7). Pelo Twitter, ele questionou a atuação da Corte nos processos relacionados à investigação sobre esquemas de corrupção na Petrobras.

“Quantas pessoas o Supremo condenou até agora na Lava Jato, quase seis anos depois? O esquema era político partidário, permeado de muitos detentores de foro privilegiado”, indagou Dallagnol.

Ele repercutiu um comentário de seu colega, o procurador Roberson Pozzobon, que também integra a força-tarefa da Lava Jato, sobre entrevista do ministro do Supremo Ricardo Lewandowski ao jornal espanhol El País. O ministro declarou que as “operações foram extremamente seletivas”.

Em seu Twitter, Pozzobon afirmou: “A verdade é que com a decisão do #STF que impôs o fim da prisão em segunda instância as solturas não foram nem um pouco seletivas. Os oligarcas condenados foram soltos de maneira ampla e abrangente.”

O procurador se refere ao julgamento que se encerrou em novembro, na Corte, em que os ministros, por seis a cinco, decidiram mudar o entendimento vigente desde 2016 e decretar a inconstitucionalidade da execução de penas após segunda instância.

Outra polêmica

Em novembro, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu, por oito votos a três, punir Dallagnol após ele ter dito, em entrevista à rádio CBN, que os ministros do STF eram “lenientes com a corrupção”.

O processo administrativo disciplinar (PAD) foi aberto a pedido do presidente do STF, ministro Dias Toffoli. O procurador fez uma crítica à decisão em que a Segunda Turma do STF retirou trechos da delação da Odebrecht das mãos do então juiz federal e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

* Com informações do Estadão Conteúdo