Doleira Nelma Kodama vira ré por falso testemunho

  • Por Jovem Pan
  • 21/09/2019 14h27
Jovem Pan Acusação foi feita no âmbito de uma investigação de policiais que teriam fabricado dossiê com dados sigilosos e falsos sobre a Lava Jato

A doleira Nelma Kodama virou ré, nesta sexta-feira (20), por suposto falso testemunho em 2015. O juiz federal Luiz Antonio Bonat, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, acolheu a denúncia apresentada pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo o juiz, “a denúncia funda-se, basicamente, em informações constantes das declarações prestadas pela denunciada e pelas testemunhas, como antes indicado, o que permite concluir pela presença de indícios da existência de crime e de sua autoria.”

A acusação foi feita no âmbito de uma investigação de policiais que teriam fabricado dossiê com dados funcionais sigilosos e inverídicos sobre a Operação Lava Jato.

Declarações falsas

Em 15 de abril de 2015, Nelma teria feito o reconhecimento fotográfico do delegado de Polícia Federal Rivaldo Venâncio e teria prestado declarações falsas, ocasião em que disse que “por volta de abril/maio de 2013 até a transferência da depoente em 11 de junho de 2014, referida pessoa constantemente frequentava o corredor em frente às celas de Alberto Youssef (cela 3), mantendo contato com o mesmo, sem conseguir ouvir o teor da conversa (pelo tom de voz baixo, exceto quanto às risadas e palavras de cumprimento rotineiro)”.

Ela ainda teria dito que “referido sujeito não trajava terno, mas roupa social ou traje informal, sendo que estava lá em diferentes horários, desde períodos noturnos, diurnos e às vezes aos finais de semana.”

Em depoimento, o delegado Rivaldo Venâncio informou que apenas comparecera uma vez ao presídio, em inspeção do Ministério Público Federal. Outras testemunhas corroboraram sua versão, como o responsável pela carceragem Paulo Romildo Rossa Filho.

Nelma teria mentido, também, sobre a participação do escrivão Cleverson Ricardo Hartmann no esquema que pretendia atrapalhar a Lava Jato, a partir de uma conversa que teve com uma delegada de polícia.

Questionada, Nelma ressaltou que “estava em um estado de nervosismo muito grande, sob grande pressão, e novamente ressalva que fez o referido depoimento como forma de precaução e não pretendia em nenhum momento difamar a imagem profissional do escrivão Hartmann.”

Seguiu dizendo que “não foi induzida nem pressionada a dar o referido depoimento em relação a Hartmann, que também acrescenta que não pretendia difamar a imagem profissional do delegado Rivaldo, apenas informar as pessoas que frequentavam a carceragem como um todo e que não possui nenhuma prova ou conhecimento do envolvimento dos referidos policiais em atividades contra a Operação Lava Jato.”

Polêmicas

Nelma já foi alvo de uma série de polêmicas. A doleira foi presa em 2014 em operação da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo quando tentava embarcar para a Itália com 200 mil euros escondidos na calcinha. Conhecida como a “Dama do Mercado”, ela foi condenada pela Operação Lava Jato.

Em julho, Nelma compartilhou uma foto em seu perfil no Instagram em que aparecia de vestido longo vermelho, sapato de salto alto da grife Chanel e tornozeleira eletrônica. Dois dias depois, postou mais uma imagem com o mesmo look e com uma provocação na legenda. “Se existe ainda quem queira me condenar… Venha logo a primeira pedra atirar”, escreveu, colocando como hashtags os nomes de alguns veículos de imprensa.

Entre suas emblemáticas aparições também está um depoimento à CPI da Petrobrás em 2015 em que cantou trecho de uma música de Roberto Carlos para explicar como era sua relação com o doleiro Alberto Youssef.

“Sob meu ponto de vista, eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Amante é esposa, amante é amiga”, disse. “Tem até uma música do Roberto Carlos: a amada amante, a amada amante. Não é verdade? Quer coisa mais bonita que ser amante? Você ter uma amante que você pode contar com ela, ser amiga dela”, completou.

* Com informações do Estadão Conteúdo