Em consulta pública, maioria foi contrária à exigência de prescrição médica para vacinação de crianças contra a Covid-19

De acordo com a secretária-extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, a maior parcela das mais de 99 mil pessoas ouvidas também é contra a obrigatoriedade da imunização

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2022 13h04
Walterson Rosa/Ministério da Saúde Servidora de máscara em evento público Rosana Leite de Melo é secretária-extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde

A secretária-extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, afirmou, nesta terça-feira, 4, que a maioria dos participantes da consulta pública realizada para que a sociedade se manifestasse sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 contra a doença foi contrária à exigência de prescrição médica para a imunização do público infantil. De acordo com a servidora, pouco mais de 99,3 mil pessoas foram ouvidas. A maioria também foi contrária à compulsoriedade da vacinação.

“Tivemos 99.309 pessoas que participaram nesse curto intervalo de tempo, cujo documento esteve para consulta pública. A maioria se mostrou concordante com a não compulsoriedade da vacinação e a priorização das crianças com comorbidades. A maioria foi contrária à obrigatoriedade de prescrição médica no ato de vacinação. Teremos, hoje, a penúltima etapa deste processo, que serão as apresentações deste grupo seleto [de especialistas]. Amanhã, materializaremos um documento com as diretrizes que serão adotadas sobre o tema”, disse Rosana Leite de Melo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos no dia 16 de dezembro, mas o governo Bolsonaro resistiu a dar início à campanha de vacinação do público infantil. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em sua live semanal, que divulgaria o nome dos técnicos do órgão responsável pela decisão. “Eu pedi, extraoficialmente, o nome das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de cinco anos, queremos divulgar o nome dessas pessoas para que todo mundo tome conhecimento quem são essas pessoas e obviamente forme seu juízo”, disse. O chefe do Executivo federal também defendia a obrigatoriedade de prescrição médica para imunizar as crianças.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, por sua vez, anunciou, nesta segunda-feira, 3, que as doses da Pfizer que serão aplicadas nessa faixa etária devem chegar ao Brasil a partir da segunda-feira, 10. “Na segunda quinzena de janeiro, as vacinas [para crianças] começam a chegar e serão distribuídas, como nós temos distribuído”, disse, após evento no Ministério da Saúde. O titular da pasta acrescentou que o Brasil será “um dos primeiros países para distribuir vacinas para crianças”. Países como Argentina, Estados Unidos, Alemanha, França e Israel já imunizam este público desde o ano passado.