Estudo aponta aumento de chuvas extremas no Rio Grande do Sul devido às mudanças climáticas

Aquecimento global elevou em duas vezes a probabilidade de temporais; El Niño também teve um papel importante no desastre ambiental

  • Por da Redação
  • 03/06/2024 19h15
GILMAR ALVES/ASI/ESTADÃO CONTEÚDO Ponto de alagamento na rua Fernando Ferrari, no bairro Anchieta, no acesso à Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul Ponto de alagamento na rua Fernando Ferrari, no bairro Anchieta, zona norte de Porto Alegre

Um estudo realizado pelo World Weather Attribution (WWA) revelou que as mudanças climáticas aumentaram significativamente a probabilidade de eventos climáticos extremos atingirem o Rio Grande do Sul. As chuvas intensas que assolaram o Estado entre abril e maio foram até 9% mais intensas devido ao aquecimento global. O El Niño também teve um papel importante na intensificação dessas precipitações. As enchentes que afetaram mais de 90% do Rio Grande do Sul em menos de um mês resultaram em 172 mortes e mais de meio milhão de desalojados. Os pesquisadores analisaram dados meteorológicos e simulações computadorizadas para comparar o clima atual, cerca de 1,2°C mais quente do que na era pré-industrial, com o clima do passado.

O estudo identificou que o evento extremamente raro que ocorreu no Rio Grande do Sul é esperado apenas uma vez a cada 100-250 anos, mesmo no clima atual. No entanto, sem as emissões de gases de efeito estufa, o evento seria ainda mais raro. O aquecimento global aumentou em duas vezes a probabilidade de chuvas extremas e as tornou de 6% a 9% mais intensas. Outras pesquisas realizadas na região Sul do Brasil já haviam demonstrado mudanças na intensidade e frequência de chuvas extremas. O estudo do WWA também apontou que a falha na infraestrutura da região contribuiu significativamente para os danos causados pelas chuvas. A falta de manutenção dos diques e estações de bombeamento de água da chuva agravou a situação.

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A pesquisa projetou possíveis cenários futuros caso as emissões de gases estufa não sejam reduzidas rapidamente. Se as temperaturas globais aumentarem 2ºC em comparação aos tempos pré-industriais, eventos de chuva semelhantes serão duas vezes mais prováveis do que são hoje. A transição para fontes de energia limpa e a adaptação às mudanças climáticas são essenciais para mitigar os impactos desses eventos extremos.

Publicada por Felipe Cerqueira

*Reportagem produzida com auxílio de IA

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