Estudo da Fiocruz encontra mutações em variantes do coronavírus no Brasil

O artigo é assinado por 31 pesquisadores e será submetido a um processo de certificação e validação dos pares, que contará com a participação de outros pesquisadores da área

  • Por Jovem Pan
  • 22/03/2021 21h05
REUTERS/Phil Noble/03.08.2020Fundação indica que as novas versões podem conseguir escapar, mesmo que parcialmente, da imunidade adquirida pelos indivíduos

Um estudo elaborado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou mutações das variantes do novo coronavírus que estão em circulação no Brasil. Com isso, a fundação indica que as novas versões podem conseguir escapar, mesmo que parcialmente, da imunidade adquirida pelos indivíduos. No estudo, que foi publicado nessa segunda-feira, 22, a Fiocruz alerta que foram identificadas “mutações preocupantes” em 11 sequências encontradas em cinco Estados: Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná e Rondônia. As amostras foram colhidas entre os dias 12 de março de 2020, no começo da pandemia, e 28 de fevereiro de 2021 e fazem parte da Rede de Vigilância Genômica Covid-19 da fundação. O artigo é assinado por 31 pesquisadores e será submetido a um processo de certificação e validação dos pares, que contará com a participação de outros pesquisadores da área para confirmar os métodos e resultados do estudo.

“Identificamos que linhagens SARS-CoV-2 circulando no Brasil com mutações preocupantes no RBD adquiriram, de forma independente, deleções convergentes e inserções no NTD da proteína S, que alteraram o NTD antígeno-supersita e outros epítopos previstos nesta região. Esses achados apóiam que a contínua transmissão generalizada do SARS-CoV-2 no Brasil está gerando novas linhagens virais que podem ser mais resistentes à neutralização do que as variantes parentais preocupantes”, diz o artigo. Em seguida, o documento diz que é “urgente” a necessidade de verificar a eficácia de vacinas para variantes da doença e reforça o risco da ausência de controle da transmissão do vírus. “Esses achados destacam a necessidade urgente de abordar a eficácia das vacinas SARS-CoV-2 para aquelas variantes emergentes do SARS-CoV-2 e o risco de transmissão comunitária não controlada contínua do SARS-CoV-2 no Brasil para a geração de variantes mais transmissíveis”, afirma o estudo.