Exército reforçará operações para conter mancha de óleo, diz Mourão

O presidente em exercício também reconheceu uma “falha de comunicação” sobre as ações tomadas na contenção das manchas de óleo que atingem o litoral do Nordeste desde o final de agosto

  • Por Jovem Pan
  • 21/10/2019 17h47
Flickr/Palácio do PlanaltoO general Hamilton Mourão assumiu como presidente interino durante viagem de Bolsonaro ao Japão

O Exército colocará à disposição das operações de limpeza das praias do Nordeste, atingidas por manchas de óleo, tropas da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada, sediada em Recife. Os militares também devem oferecer equipamentos para apoio a órgãos de defesa civil dos Estados.

A informação foi dada nesta segunda-feira (21) pelo presidente em exercício, o general Hamilton Mourão, após reunião no Ministério da Defesa sobre as ações para conter o avanço da mancha de óleo. Segundo o general, ficarão à disposição entre 4 a 5 mil homens do Exército.

De acordo com Mourão, foram recolhidas até agora cerca de 700 toneladas de óleo, misturado com areia e outras substância. O material está sendo entregue para aproveitamento em fábricas de cimento, disse o general.

Não há previsão do governo sobre quando irá cessar o avanço do óleo, mas o volume que chega às praias está diminuindo, disse Mourão.

“Vamos aguardar investigações, usando todos os sistemas de inteligência, não só nosso, mas também internacional. Esse acidente é inédito no mundo”, disse Mourão. Em coletiva de imprensa neste domingo (20), a Marinha afirmou que as manchas de óleo se concentram apenas no Estado de Pernambuco.

Os ministros do governo Jair Bolsonaro têm agenda no Nordeste para tratar da crise ambiental. O Ministro do Desenvolvimento Regional (MDR), Gustavo Canuto, está na Bahia e terá reunião com o governador Rui Costa (PT) nesta segunda.

No dia seguinte, Canuto deve viajar para o Estado de Sergipe. Já o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, irá a Recife e Salvador a partir de terça-feira (22).

Falha na comunicação

O general Mourão disse que o governo acionou, ainda no começo de setembro, protocolos para conter o avanço das manchas de óleo sobre o litoral do Nordeste, mas reconheceu que houve falha na comunicação sobre as ações tomadas.

Segundo Mourão, a Justiça já mostrou que o governo “acionou protocolos” em 2 de setembro contra o derramamento de óleo. “Apenas, mais uma vez, nos faltou comunicar mais isso aí”, disse o presidente em exercício.

A Justiça Federal do Sergipe afirmou, em decisão assinada neste domingo que a União já acionou o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional e pediu que “providências imediatas” sejam tomadas pela União e Ibama na contenção do óleo.

No mesmo documento, a Justiça afirma que órgãos do governo “vinham atuando desde os primeiros sinais deste acidente ambiental”, mesmo antes de acionar o plano.

*Com informações do Estadão Conteúdo