Governador do Acre é alvo de operação da PF contra desvios de verbas

Ao todo, 150 policiais federais e 10 auditores da CGU cumprem mandados de busca, apreensão e prisão em quatro cidades; STJ determinou o bloqueio R$ 7 milhões

  • Por Jovem Pan
  • 16/12/2021 10h52
Marcos Brandão/Senado Federal Gladson Cameli Segundo a Polícia Federal, investigação aponta movimentação de R$ 800 milhões pelos envolvidos

A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira, 16, a Operação Ptolomeu, para desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimentos em casos de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo à cúpula do governo do Acre. Com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), 150 agentes federais e 10 auditores da CGU cumprem 41 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, em Manaus e em Brasília. Entre os alvos da ação está o governador do Estado, Gladson Cameli. Ao menos quatro endereços ligados ao político estão entre os locais de buscas, incluindo um apartamento, escritório e o Palácio Rio Branco. No entanto, não há informações sobre quais as suspeitas envolvendo o governador.

Segundo investigação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), um grupo controlado por empresários e agentes políticos ligados ao Poder Executivo estadual atuava no desvio de recursos públicos. A apuração reuniu provas que demonstram “o aparelhamento da estrutura estatal, com a finalidade de promover diversos crimes contra a administração pública”. Transações financeiras suspeitas, pagamentos de boletos de cartão de crédito por pessoas interpostas, transações com imóveis de alto valor e aquisições subfaturadas de veículos de luxo estão entre os elementos identificados. Com isso, o STJ determinou o bloqueio de R$ 7 milhões nas contas dos investigados, além do sequestro de bens adquiridos com recursos dos crimes.

O órgão também decretou o afastamento de cinco pessoas das suas funções públicas; a proibição de acesso a departamentos públicos e o impedimento de contato entre os investigados. A investigação da CGU identificou que as empresas envolvidas no esquema de corrupção possuem diversos contratos com o poder público. Ao todo, o valor empenhado para as sete companhias foi de R$ 142 milhões no período analisando, sendo R$ 17 milhões de destinação de convênios federais e repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundeb. Os contratos firmados não foram mencionados pela Polícia Federal. A estimativa é que os valores movimentadores pelos envolvidos ultrapassem R$ 800 milhões.