Ciro Gomes é alvo de operação da PF sobre suposto esquema de propina nas obras do Castelão

Pré-candidato à Presidência classificou a ação de busca e apreensão em sua residência como ‘abusiva’; investigações apontam que o pagamento de vantagens indevidas chegou a R$ 11 milhões

  • Por Jovem Pan
  • 15/12/2021 10h50
Renato S. Cerqueira/Estadão Conteúdo - 2/10/2018 O político Ciro Gomes de lado usando camiseta azul Ciro Gomes negou ter envolvimento com o suposto esquema de corrupção

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 15, a Operação Colosseum, que apura um suposto esquema de propina durante as obras de construção da Arena Castelão, em Fortaleza, entre 2010 e 2013. Entre os alvos da operação está o pré-candidato à Presidência da República Ciro Gomes. Segundo a PF do Ceará, 80 policiais federais cumprem 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, em domicílios investigados nas cidades de Fortaleza-CE, Meruoca-CE, Juazeiro do Norte-CE, São Paulo, Belo Horizonte e São Luís-MA. As buscas têm como objetivo apreender mídias digitais, aparelhos celulares e documentos. Na época do suposto esquema, Cid Gomes, irmão de Ciro, era governador do Ceará.

Em suas redes sociais, Ciro classificou a ação de busca e apreensão em sua residência como “abusiva” e afirmou que o presidente Jair Bolsonaro transformou o Brasil em um “Estado Policial”. “Até esta manhã, eu imaginava que vivíamos, mesmo com todas as imperfeições, em um país democrático. Mas, depois da Polícia Federal, subordinada a Bolsonaro, com ordem judicial abusiva de busca e apreensão, ter vindo a minha casa, não tenho mais dúvida de que Bolsonaro transformou o Brasil num Estado Policial que se oculta sob falsa capa de legalidade”, declarou o ex-governador.

Ciro alegou que a ação de busca e apreensão chega a ser “pitoresca”. “O Brasil todo sabe que o Castelão foi o estádio da Copa com maior concorrência, o primeiro a ser entregue e o mais barato construído para Copas do Mundo desde 2002. Ou seja, foi o estádio mais econômico e transparente já feito para a Copa do Mundo”, defendeu o político, que negou ter envolvimento com o suposto esquema de corrupção. “Não tenho nenhuma ligação com os supostos fatos apurados. Não exerci nenhum cargo público relacionados com eles. Nunca mantive nenhum tipo de contato com os delatores. O que, aliás, o próprio delator reconhece quando diz que nunca me encontrou. Tenho 40 anos de vida pública e nunca fui acusado nem processado por corrupção”, apontou. Em 2010, Ciro havia acabado de encerrar seu mandato como deputado federal. Ele só voltou assumir cargo público em 2013, quando foi nomeado secretário estadual de Saúde do Ceará.

“Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar criar danos à minha pre-candidatura à Presidência da república. Da mesma forma que tentaram 15 dias antes do primeiro turno da eleição de 2018. O braço do estado policialesco de Bolsonaro, que trata opositores como inimigos a serem destruídos fisicamente, levanta-se novamente contra mim”, acusou Ciro. “Não tenho dúvida de que esta ação tão tardia e despropositada tem o objetivo claro de tentar me intimidar e deter as denúncias que faço todo dia contra esse governo que está dilapidando nosso patrimônio público com esquemas de corrupção de escala inédita. Sou um homem do embate, do combate e do Direito. Essa história não ficará assim. Vou até as últimas consequências legais para processar aqueles que tentam me atacar”, finalizou.

Investigação aponta pagamento de R$ 11 milhões em propinas

As investigações da Polícia Federal do Ceará tiveram início no ano de 2017. Na época, os agentes identificaram indícios de esquema criminoso envolvendo pagamentos de propinas para que uma empresa obtivesse êxito no processo licitatório da Arena Castelão. Segyndo a PF, os pagamentos de propina chegaram a 11 milhões de reais em dinheiro ou disfarçadas de doações eleitorais, com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas. A partir das buscas e apreensão, os agentes analisarão o material apreendido e o fluxo financeiro dos suspeitos. Caso comprovado o envolvimento, os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva. O nome da operação remete em italiano ao estádio Coliseu, localizado em Roma, na Itália.