Governo de SP desiste de monotrilho e anuncia ônibus BRT até o ABC

  • Por Jovem Pan
  • 03/07/2019 18h15
ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDODoria afirmou que sua gestão optou por um tipo de transporte de "construção e operação mais baratos"

O governo de São Paulo desistiu de executar as obras contratadas no fim de 2014 para a construção do terceiro monotrilho da capital, a Linha 18-Bronze, que cruzaria as cidades do ABC e faria a ligação delas com a Linha 2-Verde do Metrô. No lugar do metrô leve, a gestão de João Doria (PSDB) anunciou um corredor de ônibus especial, chamado BRT (Bus Rapid Transit), que existe em cidades como Goiânia, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A mudança vinha sendo costurada desde abril. O BRT é um corredor segregado, com alimentação elétrica e pagamento da passagem na estação, não no ônibus, para facilitar o embarque. No ABC, um modelo similar de corredor é gerenciado pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

Doria e os prefeitos de Santo André, Paulinho Serra (PSDB), São Bernardo do Campo (Orlando Morando) e São Caetano do Sul, José Auricchio Filho (PSDB) anunciaram a mudança em uma coletiva realizada nesta quarta-feira (3) no Palácio dos Bandeirantes.

O governador disse que “o governo tomou uma decisão”, ao justificar a mudança, afirmando que a opção foi por um tipo de transporte de construção e operação mais baratos. Os detalhes da nova obra sobre a licitação e a operação ainda não foram divulgados.

A proposta possui um traçado igual ao do monotrilho, partindo da Estação Tamanduateí, que serve a Linha 10-Turquesa dos trens e a Linha 2-Verde de metrô, e seguindo pela Rua Afonsina, que tem limite com as três cidades, até o centro de São Bernardo.

Monotrilho de Alckmin

O monotrilho havia sido assinado no fim do governo Geraldo Alckmin (PSDB), quando o agora ex-governador tentava a reeleição. A obra seria uma Parceria Público-Privada (PPP), que terminou adiada após São Paulo não conseguir financiamentos. Neste período, a Scomi, empresa que forneceria os trens e fazia parte do consórcio Via ABC, vencedor da licitação, faliu. O grupo da Malásia também forneceria trens para a Linha 17-Ouro, o monotrilho da zona sul, que também segue indefinido.

A eventual quebra de contrato com esse consórcio, entretanto, poderia acarretar pagamento de multa. O valor pode chegar a R$ 270 milhões.

“Não é a primeira vez que o governo de São Paulo rescinde um contrato, renova uma licitação ou relicita. Isso é comum no Direito Administrativo. Nós vamos buscar sempre o entendimento. A concessionária que está lá tem outras concessões no Estado, tem um cotidiano de relação com o Estado muito grande, em outras áreas, e nós vamos buscar uma solução amigável, com a maior economicidade possível”, disse o vice-governador, Rodrigo Garcia (DEM), ao comentar esse risco.

“Esperamos, e temos muita expectativa, que seja um processo amigável de rescisão, com o menor custo possível para o Estado, se é que ele vai existir”, concluiu.

O secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, afirmou que o novo modelo de transporte teria um custo estimado em R$ 610 milhões, contra os R$ 6 bilhões necessários para colocar o monotrilho para funcionar, e que o BRT teria capacidade de atender a mesma demanda projetada para o metrô leve, 340 mil pessoas por dia. Como ministro das Cidades do governo Temer, Baldy participou da viabilização de obras de 28 BRTs pelo País.

Nova linha de metrô

O anúncio da troca de meio de transporte no ABC foi acompanhada da divulgação da contratação de estudos para o projeto executivo de uma nova linha de Metrô na região metropolitana. A Linha 20-Rosa aparece em projeções de expansão desde o início do século, como um ramal que ligaria a Lapa, a partir da Linha 8-Diamante dos trens, até a Linha 5-Lilás do Metrô, na zona sul, passando pela Avenida Brigadeiro Faria Lima. Essa Linha teria condições de ser estendida até o bairro Rudge Ramos, em São Bernardo.

Agora, Doria diz que o traçado dessa linha, até a Lapa, começaria pelo ABC. O custos de um ramal como esse, o número de estações e, em especial, o cronograma, não foram divulgados. Baldy prometeu detalhes para agosto.

O Metrô, neste ano, desistiu dos planos de levar a Linha 2-Verde até Guarulhos, como Doria havia prometido na campanha, e ainda busca soluções para viabilizar as obras da Linha 6-Laranja, que iria do centro até Brasilândia, na zona norte. Esse ramal também seria uma PPP, mas as empresas do consórcio, envolvidas com a Operação Lava Jato, também não conseguiram financiamento para cumprir o acordo.

*Com Estadão Conteúdo