Governo de SP diz que Ministério da Saúde entregou 228 mil doses a menos da vacina da Pfizer

Até então, São Paulo recebia cerca de 22% do total distribuído pela pasta; Doria afirmou que, na falta da entrega, o calendário de vacinação de crianças fica comprometido

  • Por Jovem Pan
  • 04/08/2021 13h11 - Atualizado em 04/08/2021 16h16
EFE/EPA/VICTORIA JONES / POOL - 09/12/20No ofício, o Estado solicita "o envio complementar de pelo menos 228.150 doses da vacina da Pfizer em até 24 horas"

O governador do Estado de São Paulo, João Doria, afirmou, em coletiva nesta quarta-feira, 4, que o Ministério da Saúde entregou apenas 50% das doses da vacina da Pfizer que eram esperadas para ontem. De acordo com ele, foram enviadas 228 mil doses a menos do que estava previsto. O número representa a metade do que o governo paulista teria direito a receber dentro do Plano Nacional de Imunização, levando em conta o critério de proporcionalidade que era respeitado até então — cerca de 22% do total recebido pela pasta, de acordo com o IBGE 2020. “Sempre foi assim. Há mais de 25 anos funciona assim e tem funcionado. Ontem, foi interrompido”, afirmou. Doria disse que não existem justificativas para o atraso e que a decisão arbitrária quebra o pacto federativo.

“Com menos vacinas para São Paulo, o Ministério da Saúde compromete o calendário de vacinação de crianças e adolescentes, previsto para 18 de agosto. Isso afronta o pacto federativo, afronta o critério de proporcionalidade, afronta o direito igualitário e afronta o direito à vacina de crianças e jovens em São Paulo.” O Estado encaminhou um ofício ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, questionando a decisão e solicitando a entrega imediata das 228 mil doses restantes. O governador também afirmou que não fará nenhuma retaliação à pasta e que vai continuar entregando as vacinas do Instituto Butantan no prazo ou até mesmo antecipando. No ofício, o Estado solicita “o envio complementar de pelo menos 228.150 doses da vacina da Pfizer em até 24 horas, considerando a relevância e urgência que a matéria se reveste e a fim de evitar prejuízos a população deste Estado”. De acordo com a coordenadora-geral do Programa Estadual de Imunização, Regiane de Paula, a possibilidade dessa ação afetar a imunização das crianças e adolescentes não está descartada — já que esse grupo só pode receber o imunizante da Pfizer, conforme orientação da Anvisa.